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Todas as Glórias a Sri Guru e Sri Gauranga (Original Sem "correções")
Terceiro Canto O Status Quo
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Capítulo 04 Vidura se Aproxima de Maitreya Verso 1 uddhava uväca Depois disso, todos eles (os descendentes de Vrishni e Bhoja), com a permissão dos brahmanas, compartilharam os restos de prasada e também beberam bebida alcoólica feita com arroz. Por beberem todos eles ficaram em delírio, e desprovidos do conhecimento, eles tocaram o âmago dos corações um do outro com palavras duras. Iluminação de Srila Prabhupada: Nas cerimônias quando brahmanas e Vaishnavas são alimentados suntuosamente, o anfitrião compartilha os restos de comida depois que o convidado dá permissão. Assim os descendentes de Vrishni e Bhoja formalmente pediram permissão para os brahmanas e comeram a comida preparada. Kshatriyas recebem a permissão de beber em certas ocasiões, assim todos eles beberam um tipo de bebida alcoólica leve feita com arroz. Com essa bebida eles ficaram delirantes e desprovidos de juízo, tanto que eles esqueceram seu relacionamento um com outro e falaram palavras duras que tocaram o fundo dos corações um do outro. Beber é uma coisa tão danosa que mesmo uma família altamente culta assim fica afetada pela intoxicação e podem esquecer de si mesmos no estado de embriaguez. Não se esperava que os descendentes de Vrishni e Bhoja se esquecessem de si mesmos desse modo, porém pela vontade do Senhor isso aconteceu, e assim eles se tornaram rudes um com o outro. Verso 2 teñäà maireya-doñeëa Do mesmo modo que pela fricção de bambus destruição acontece, assim também, pela interação dos defeitos da intoxicação, todas suas mentes ficaram desequilibradas, e destruição aconteceu. Iluminação de Srila Prabhupada: Quando existe necessidade de fogo na floresta, pela vontade do Senhor ele acontece devido à fricção entre bambus. Similarmente, os descendentes de Yadu foram todos destruídos pelo desejo do Senhor pelo processo de autodestruição. Justamente do modo como não há nenhuma possibilidade de fogo ocorrer fundo na floresta devido ao esforço humano, assim também não havia nenhum poder no universo o qual pudesse aniquilar os descendentes de Yadu, que eram protegidos pelo Senhor. O Senhor quis que eles fossem destruídos dessa forma, e por isso eles obedeceram à Sua ordem, como indicado pela palavra tad-anujñata. Verso 3 bhagavän svätma-mäyäyä A Personalidade de Deus, Senhor Sri Krishna, depois de prever o fim (da Sua família) por Sua potência interna, foi para a margem do Rio Sarasvati, tomou um gole da água, e sentou em baixo de uma árvore. Iluminação de Srila Prabhupada: Todas as atividades mencionadas acima dos Yadus e Bhojas foram executadas pela potência interna do Senhor porque Ele queria que eles fossem despachados para suas moradas respectivas depois que Ele finalizou Sua missão de descida. Eles eram todos Seus filhos e netos e receberam proteção completa pela afeição paternal do Senhor. Como eles poderiam ser aniquilados na presença do Senhor é respondido neste verso: tudo foi feito pelo Senhor Ele mesmo (svatma-mayayah). Os membros da família do Senhor ou eram encarnações de Suas expansões plenárias ou semideuses dos planetas celestiais, e assim antes da Sua partida Ele os separou por Sua potência interna. Antes de serem despachados para suas moradas respectivas, foram enviados para o lugar sagrado de Prabhasa, onde realizaram atividades piedosas e tomaram comida e água para o contentamento de seus corações. Então foi arranjado para que eles fossem mandados de volta para suas moradas para que outros pudessem ver que a poderosa dinastia Yadu não estava mais dentro do mundo. No verso prévio, a palavra anujñata, a qual indica que a seqüência inteira de eventos foi arranjada pelo Senhor é significativa. Esses passatempos particulares do Senhor não são uma manifestação de Sua energia externa, ou natureza material. Essa exibição da Sua potência interna é eterna, e por isso não se deve concluir que os Yadus e Bhojas morreram num estado de embriaguez numa guerra fratricida ordinária. Sri Jiva Goswami comenta sobre esses incidentes como apresentações mágicas. Verso 4 ahaà cokto bhagavatä O Senhor é o aniquilador dos sofrimentos daquele que é rendido a Ele. Assim Aquele que desejou destruir Sua família disse-me previamente para ir a Badarikashrama. Iluminação de Srila Prabhupada: Enquanto em Dwaraka, Uddhava foi alertado para evitar os sofrimentos que deveriam seguir o desaparecimento do Senhor e a destruição da dinastia Yadu. Ele foi avisado para prosseguir para Badarikashrama porque lá ele poderia se associar com os devotos de Nara-Narayana, e na associação deles do serviço devocional ele poderia incrementar sua avidez por cantar, ouvir, conhecimento e desapego. Verso 5 tathäpi tad-abhipretaà Mesmo assim apesar de eu saber Seu desejo (para destruir a dinastia), ó Arindama (Vidura), eu O segui porque era impossível para eu suportar separação dos pés de lótus do mestre. Verso 6 adräkñam ekam äsénaà Assim ao seguir, eu vi meu patrono e mestre (Senhor Sri Krishna) sentado sozinho e em pensamento profundo, abrigado na margem do Rio Sarasvati embora Ele seja o abrigo da deusa da fortuna. Iluminação de Srila Prabhupada: Aqueles que estão na ordem de vida renunciada freqüentemente tomam abrigo em baixo de uma árvore. O Senhor foi encontrado por Uddhava nessa condição de tomar abrigo como fazem pessoas que não têm abrigo. Porque Ele é o proprietário de tudo, todo lugar é Seu abrigo, e todo lugar está sob Seu abrigo. A manifestação cósmica material e espiritual inteira é sustentada por Ele, e por isso Ele é o abrigo de tudo. Por isso não foi nada espantoso Ele tomar abrigo no modo dos desabrigados que estão na ordem de vida renunciada. Verso 7 çyämävadätaà virajaà O corpo do Senhor é escuro, mas é eterno, pleno de bem-aventurança e conhecimento, e muito e muito bonito. Seus olhos são sempre calmos, e são avermelhados igual o Sol nascente na manhã. Eu pude reconhecê-Lo como a Suprema Personalidade de Deus por Suas quatro mãos, diferentes representações simbólicas, e roupas de seda amarela. Verso 8 väma üräv adhiçritya O Senhor estava sentado, descansando encostado numa jovem árvore banyan, com Seu pé de lótus direito sobre Sua coxa esquerda, e embora Ele deixou todos confortos do lar, Ele parecia bem contente naquela postura. Iluminação de Srila Prabhupada: De acordo com Srila Vishvanatha Chakravarti Thakura, a postura sentada do Senhor - com Suas costas encostadas contra a árvore banyan recém-nascida - também é significativa. Ashvattha, a árvore banyan, é chamada assim porque a árvore não morre muito rápido; ela continua a viver por muitos e muitos anos. As pernas Dele e suas energias são os ingredientes materiais, que são cinco no total: terra, água, fogo, ar e céu. As energias materiais representadas pela árvore banyan são todas produtos de Sua potência externa e por isso são mantidas nas Suas costas. E porque este universo particular é o menor de todos, a árvore banyan por isso é designada como pequena, ou como uma criança. Tyakta-pippalam indica que agora Ele finalizou Seus passatempos neste pequeno universo particular, mas porque o Senhor é absoluto e eternamente bem-aventurado, não existe diferença entre Seu deixar ou aceitar alguma coisa. O Senhor agora estava preparado para deixar este universo particular e ir para outro, justamente igual o Sol nasce num planeta particular e se põe em outro simultaneamente mas não muda sua própria situação. Verso 9 tasmin mahä-bhägavato Nesse momento, depois de viajar em muitas partes do mundo, Maitreya, um grande devoto do Senhor e um amigo e benquerente do grande sábio Krishna-dwaipayana Vyasa, chegou naquele ponto por sua própria e perfeita vontade. Iluminação de Srila Prabhupada: Maitreya era um dos discípulos de Maharshi Parashara, o pai de Vyasadeva. Por isso Vyasadeva e Maitreya eram amigos e benquerentes mútuos. Por algum acidente afortunado, Maitreya chegou ao local onde o Senhor Sri Krishna repousava. Encontrar o Senhor não é um incidente ordinário. Maitreya era uma grande alma e um filósofo acadêmico versado mas não um devoto puro do Senhor, e por isso seu encontro com o Senhor naquele momento pode ter sido devido a ajñata-sukrti, ou algum serviço devocional desconhecido. Devotos puros sempre se dedicam em atividades do serviço devocional, e por isso seu encontro com o Senhor é natural. Porém quando aqueles que não estão acima nesse padrão encontram o Senhor, é devido a alguma fortuna imprevista de serviço devocional acidental. Verso 10 tasyänuraktasya muner mukundaù Maitreya Muni estava grandemente apegado a Ele (o Senhor), e ele ouvia numa atitude agradável, com seus ombros abaixados. Com um sorriso e um olhar particular para mim, depois de me dar permissão para descansar, o Senhor falou o seguinte. Iluminação de Srila Prabhupada: Embora Uddhava e Maitreya fossem grandes almas, a atenção do Senhor era mais para Uddhava porque ele era um devoto puro imaculado. Um jñana-bhakta, ou aquele cuja devoção é misturada com o ponto de vista monista, não é um devoto puro. Embora Maitreya fosse um devoto, sua devoção era misturada. O Senhor reciproca com Seus devotos com base no amor transcendental e não na base do conhecimento filosófico ou atividades lucrativas. As gopis de Vrindavana não eram nem altos acadêmicos eruditos nem yogis místicos. Elas tinham amor espontâneo pelo Senhor, e por isso Ele Se tornou seu coração e alma, e as gopis também se tornaram o coração e alma do Senhor. O Senhor Chaitanya aprovou o relacionamento das gopis com o Senhor como supremo. Aqui a atitude do Senhor em direção a Uddhava era mais íntima do que com Maitreya Muni. Verso 11 çré-bhagavän uväca Ó Vasu, eu sei de dentro da sua mente o que você desejou nos dias de outrora quando os Vasus e outros semideuses responsáveis por expandir os assuntos universais executaram sacrifícios. Você particularmente desejou alcançar Minha associação. Isso é muito difícil de obter para outros, mas Eu a concedi para você. Iluminação de Srila Prabhupada: Uddhava é um dos associados eternos do Senhor, e uma porção plenária de Uddhava foi um dos oito Vasus nos dias de outrora. Os oito Vasus e os semideuses no sistema planetário superior, que são responsáveis pela administração dos assuntos universais, realizaram um sacrifício naqueles dias, com o desejo de satisfazerem seus respectivos objetivos últimos da vida. Naquele tempo uma expansão de Uddhava, que agia como um dos Vasus, desejou se tornar um associado do Senhor. O Senhor sabia disso porque Ele está presente no coração de cada ser vivo como Paramatma, a Superconsciência, que dá memória para a consciência parcial de cada ser vivo. O ser vivo, como consciência parcial, esquece incidentes da sua vida passada, mas a Superconsciência o lembra de como agir em termos de seu cultivo passado de conhecimento. O Bhagavad-gita confirma esse fato de vários modos: ye yatha mam prapadtyante tams tathaiva bhajamy aham (Bg. 4.11), sarvasya caham hrdi sannivisto mattah smrtir jñanam apohanam ca (Bg. 15.15). Todo mundo está em liberdade do jeito que gosta, mas o desejo é satisfeito pelo Supremo Senhor. Todos são independentes para pensar ou desejar, mas a satisfação de seu próprio desejo depende da vontade suprema. Essa lei é expressa como "Homem propõe, Deus dispõe". Nos dias de outrora, quando os semideuses e os Vasus executaram sacrifício, Uddhava, um dos Vasus, desejou entrar na associação do Senhor, o que é muito difícil para aqueles ocupados em especulação filosófica empírica ou atividades lucrativas. Essas pessoas praticamente não têm nenhuma informação dos fatos sobre como se tornar um associado do Senhor. Somente os devotos puros podem saber, pela misericórdia do Senhor, que a associação pessoal com o Senhor é a perfeição mais elevada da vida. O Senhor assegurou Uddhava que Ele satisfaria seu desejo. Parece que quando o Senhor o informou por Sua indicação para Uddhava, o grande sábio Maitreya finalmente ficou consciente sobre a importância de entrar dentro da associação com o Senhor. Verso 12 sa eña sädho caramo bhavänäm Ó pessoa honesta, sua vida presente é a última e a mais elevada porque nesse termo de vida você foi agraciado com Meu último favor. Agora você pode ir para Minha morada transcendental, Vaikuntha, por deixar este universo de seres vivos condicionados. Sua visita para Mim neste lugar solitário por causa do seu serviço devocional puro e imaculado é um grande benefício para você. Iluminação de Srila Prabhupada: Quando uma pessoa é plenamente versada com conhecimento do Senhor o tanto que possa ser conhecido por um ser vivo perfeito no estado liberado, recebe permissão para entrar no céu espiritual, onde existem os planetas Vaikuntha. O Senhor estava sentado num lugar solitário justamente quase para desaparecer da visão dos habitantes deste universo, e Uddhava foi afortunado em vê-Lo mesmo naquele momento e assim recebeu a permissão do Senhor para entrar em Vaikuntha. O Senhor está em todo lugar em todos os tempos, e Seu aparecimento e desaparecimento são meramente a experiência dos habitantes de um universo particular. Ele é justamente igual o Sol. O Sol não aparece e desaparece no céu; isso é apenas na experiência de pessoas que na manhã o Sol nasce e na tarde o Sol se põe. O Senhor está simultaneamente tanto em Vaikuntha quanto em toda parte dentro e fora de Vaikuntha. Verso 13 purä mayä proktam ajäya näbhye Ó Uddhava, no milênio lótus nos dias de outrora, no começo da criação, Eu falei para Brahma, que está situado sobre o lótus que cresce do Meu umbigo, sobre Minhas glórias transcendentais, as quais os grandes sábios descrevem como Srimad Bhagavatam. Iluminação de Srila Prabhupada: A explanação sobre o Eu Supremo, como dada para Brahma e já explicada no Segundo Canto desta grande literatura, é mais esclarecida aqui. O Senhor disse que a forma concisa do Srimad Bhagavatam como explicado para Brahma foi destinada para elucidar Sua personalidade. A explicação impessoal daqueles quatro versos no Segundo Canto é anulada aqui. Shridhara Swami também explica nessa conexão que a mesma forma concisa do Bhagavatam concerniu os passatempos do Senhor Krishna e nunca foi destinada para indulgência impessoal. Verso 14 ity ädåtoktaù paramasya puàsaù Uddhava disse: Ó Vidura, quando eu fui assim favorecido em cada momento pela Suprema Personalidade de Deus e falei com Ele com grande afeição, minhas palavras falharam em lágrimas, e os pelos do meu corpo eriçaram. Depois de enxugar minhas lágrimas, eu, com mãos postas, falei assim. Verso 15 ko nv éça te päda-saroja-bhäjäà Ó meu Senhor, devotos que se dedicam no serviço amoroso transcendental de Seus pés de lótus não têm nenhuma dificuldade em alcançar qualquer coisa no reino dos quatro princípios de religiosidade, desenvolvimento econômico, prazer sensual e liberação. Mas, ó grande, no que me diz respeito, eu preferi unicamente me dedicar no serviço amoroso dos Seus pés de lótus. Iluminação de Srila Prabhupada: Aqueles que são associados com o Senhor nos planetas Vaikuntha obtêm todas as características corpóreas do Senhor e parecem ser iguais ao Senhor Vishnu. Essa liberação se chama sarupya-mukti, a qual é um dos cinco tipos de liberação. Os devotos dedicados no serviço amoroso transcendental do Senhor nunca aceitam sayujya-mukti, ou imergir nos raios do Senhor chamados o brahmajyoti. Os devotos podem alcançar não apenas liberação mas qualquer sucesso no reino da religiosidade, desenvolvimento econômico ou prazer sensual até o padrão dos semideuses nos planetas celestiais. Mas um devoto puro assim como Uddhava se recusa a aceitar todas essas facilidades. Um devoto puro quer simplesmente se dedicar no serviço do Senhor e não considera seu próprio benefício pessoal. Verso 16 karmäëy anéhasya bhavo 'bhavasya te Meu Senhor, mesmo os sábios versados ficam perturbados em suas inteligências quando eles vêem que Sua Grandeza Se engaja em trabalho lucrativo embora Você seja livre de todos desejos, que Você nasce embora Você seja não nascido, que Você foge com medo do inimigo e Se abriga num forte embora Você seja o controlador do tempo invencível, e que Você desfruta vida de casado rodeado por muitas mulheres embora Você desfrute em Seu próprio Eu mesmo. Iluminação de Srila Prabhupada: Devotos puros do Senhor não estão muito preocupados com especulação filosófica em relação ao conhecimento transcendental do Senhor. Nem é possível adquirir conhecimento completo do Senhor. Qualquer pequeno conhecimento que tenham sobre o Senhor é suficiente para eles porque devotos estão simplesmente satisfeitos em ouvir e cantar sobre os passatempos transcendentais do Senhor. Isso dá a eles toda bem-aventurança transcendental. Porém alguns dos passatempos do Senhor parecem contraditórios, mesmo para esses devotos puros, e por isso Uddhava perguntou para o Senhor sobre alguns dos incidentes contraditórios em Seus passatempos. O Senhor é descrito como aquele que não tem nada para fazer pessoalmente, e isso é realmente assim porque mesmo na criação e sustentação do mundo material, o Senhor não tem nada para fazer. Parece contraditório, então, ouvir que o Senhor pessoalmente levanta a Colina Govardhana para a proteção de Seus devotos imaculados. O Senhor é o Brahman Supremo, a Verdade Absoluta, a Personalidade de Deus que aparece como um humano, mas Uddhava tinha dúvidas se Ele poderia ter tantas atividades transcendentais. Não existe nenhuma diferença entre a Personalidade de Deus e o Brahman impessoal. Como então pode o Senhor ter tantas coisas para fazer, enquanto o Brahman impessoal afirma-se que não tem nada para fazer tanto materialmente quanto espiritualmente? Se o Senhor é sempre não nascido, como é que Ele nasce como filho de Vasudeva e Devaki? Ele é temeroso mesmo para kala, o medo supremo, e mesmo assim o Senhor fica com medo de lutar com Jarasandha e se abriga no forte. Como alguém que é pleno em Si mesmo sente prazer na associação de muitas mulheres? Como Ele pode aceitar esposas e, justamente igual um casado, sentir prazer na associação de membros familiares, filhos, parentes e pais? Todos esses acontecimentos aparentemente contraditórios confundem até mesmo os maiores acadêmicos eruditos, os quais, assim confundidos, não podem entender se inatividade é um fato ou se Suas atividades são apenas imitações. A solução é que o Senhor não tem nada a ver com qualquer coisa mundana. Todas Suas atividades são transcendentais. Isso não pode ser entendido pelos especuladores mundanos. Para os especuladores mundanos há certamente um tipo de confusão, mas para os devotos transcendentais não há nada de espantoso nisso. O conceito Brahman da Verdade Absoluta é certamente a negação das atividades mundanas, mas o conceito Parabrahman é cheio de atividades transcendentais. Aquele que conhece as distinções entre o conceito Brahman e o conceito Brahman Supremo é certamente o verdadeiro transcendentalista. Não existe confusão para esses transcendentalistas. O próprio Senhor Ele mesmo também declara no Bhagavad-gita (10.2), "Mesmo os grandes sábios e semideuses dificilmente podem conhecer qualquer coisa sobre Minhas atividades e potências transcendentais". A explanação correta das atividades do Senhor é dada pelo Patriarca Bhismadeva (Bhag. 1.9.16) a seguir: na hy asya karhicid räjan Verso 17 mantreñu mäà vä upahüya yat tvam Ó meu Senhor, Seu Eu eterno nunca é dividido pela influência do tempo, e não há limite para Seu conhecimento perfeito. Por isso Você era suficientemente capaz para consultar Consigo mesmo, mesmo assim Você me chamou para consulta, como se estivesse confuso, embora Você nunca fique confuso. E esse Seu ato me confunde. Iluminação de Srila Prabhupada: Uddhava nunca ficou realmente confuso, mas ele diz que essas contradições parecem ser desconcertantes. Toda a discussão entre Krishna e Uddhava foi destinada para o benefício de Maitreya, que estava sentado próximo. O Senhor costumava chamar Uddhava para consulta quando a cidade era atacada por Jarasandha e outros e quando Ele executou grandes sacrifícios como parte de Sua rotina de trabalho real como o Senhor de Dwaraka. O Senhor não tem passado, presente e futuro porque Ele não é impedido pela influência do tempo eterno e por isso nada é escondido Dele. Ele é eternamente auto-inteligente. Por isso Ele chamar Uddhava para dar-Lhe iluminação é certamente espantoso. Todas essas ações do Senhor parecem ser contraditórias, embora não haja nenhuma contradição nas atividades de rotina do Senhor. Por isso é melhor vê-las como elas são e não tentar explicá-las. Verso 18 jïänaà paraà svätma-rahaù-prakäçaà Meu Senhor, explique para nós, se Você achar que somos competentes para receber, aquele conhecimento transcendental que dá iluminação sobre Você mesmo e que Você explicou perante Brahmaji. Iluminação de Srila Prabhupada: Um devoto puro igual Uddhava não tem nenhuma das aflições materiais porque ele se dedica constantemente no serviço amoroso transcendental do Senhor. Um devoto se sente aflito sem a associação do Senhor. Lembrança constante das atividades do Senhor mantém o devoto vivo, e por isso Uddhava solicitou que o Senhor o iluminasse por favor com o conhecimento do Srimad Bhagavatam, como foi instruído previamente para Brahmaji. Verso 19 ity ävedita-härdäya Quando eu expressei assim meus desejos mais sinceros para a Suprema Personalidade de Deus, o Senhor de olhos de lótus instruiu-me sobre Sua situação transcendental. Iluminação de Srila Prabhupada: As palavras paramam sthitim são significativas neste verso. A situação transcendental do Senhor não foi falada nem mesmo para Brahma quando os quatro versos do Srimad Bhagavatam (2.9.33-36) foram explicados. Essa situação transcendental compreende Seus relacionamentos com devotos dedicados no serviço amoroso transcendental, como exibido em Dwaraka e Vrindavana. Quando o Senhor explicou Sua situação transcendental específica, foi destinada para Uddhava unicamente, e por isso Uddhava disse particularmente mahyam ("para mim"), embora o grande sábio Maitreya também estivesse sentado lá. Essa situação transcendental é dificilmente entendida por aqueles cuja devoção é misturada com conhecimento especulativo ou atividades lucrativas. As atividades do Senhor em amor confidencial são muito raramente reveladas para os devotos em geral que estão atraídos pela devoção misturada com conhecimento e misticismo. Tais atividades são os passatempos inconcebíveis do Senhor. Verso 20 sa evam ärädhita-päda-térthäd Eu estudei o caminho de entender auto-conhecimento do meu mestre espiritual, a Personalidade de Deus, e depois de circungirá-Lo eu vim para este lugar, muito magoado devido à separação. Iluminação de Srila Prabhupada: A vida real de Sri Uddhava é o símbolo direto do Bhagavatam catuh-sloki enunciado primeiro para Brahmaji pela Personalidade de Deus [Bhag. 2.9.33/34/35/36]. Esses quatro muito grandiosos e importantes versos do Srimad Bhagavatam são pegos pelos especuladores Mayavadis, que constroem um significado diferente para adequar sua visão impessoal do monismo. Aqui está a resposta apropriada para esses especuladores desautorizados. Os versos do Srimad Bhagavatam são puramente ciência teísta compreensível pelos estudantes pós-graduados do Bhagavad-gita. Os especuladores secos desautorizados são ofensores para os pés de lótus do Senhor Sri Krishna porque eles distorcem os significados do Bhagavad-gita e Srimad Bhagavatam para desviar o público e preparar um caminho direto para o inferno conhecido como Andhatamisra. Como confirmado no Bhagavad-gita (16.20) esses especuladores invejosos são sem conhecimento e são certamente condenados vida após vida. Eles desnecessariamente se abrigam em Sripada Shankaracharya, mas ele não era tão drástico a ponto de cometer uma ofensa aos pés de lótus do Senhor Krishna. De acordo com o Senhor Sri Chaitanya Mahaprabhu, Sripada Shankaracharya pregou a filosofia Mayavada para um propósito particular. Uma filosofia assim foi necessária para derrotar a filosofia Budista da não existência da alma espiritual, mas nunca foi destinada para aceitação perpétua. Foi uma emergência. Assim o Senhor Krishna foi aceito por Shankaracharya como a Suprema Personalidade de Deus em seu comentário sobre o Bhagavad-gita. Porque ele era um grande devoto do Senhor Krishna, ele não ousou escrever nenhum comentário sobre Srimad Bhagavatam porque isso seria uma ofensa direta aos pés de lótus do Senhor. Mas especuladores posteriores, em nome da filosofia Mayavada, desnecessariamente fazem seu comentário sobre o catuh-sloki Bhagavatam sem nenhuma intenção fidedigna. Os especuladores secos monistas não têm nada a ver com o Srimad Bhagavatam porque essa literatura Védica particular é proibida para eles pelo próprio grande autor em pessoa, Srila Vyasadeva definitivamente proibiu pessoas engajadas em religiosidade, desenvolvimento econômico, prazer sensual e, finalmente, salvação, de tentarem entender Srimad Bhagavatam, o qual não é destinado a eles (Bhag. 1.1.2). Sripada Shridhara Swami, o grande comentador do Srimad Bhagavatam, definitivamente proibiu os salvacionistas ou monistas de lidarem com Srimad Bhagavatam. Não é para eles. Mesmo assim essas pessoas desautorizadas perversamente tentam entender Srimad Bhagavatam, e por isso cometem ofensas aos pés do Senhor, o que mesmo Sripada Shankaracharya não ousou fazer. Assim eles preparam para sua continuação da vida miserável. Deve-se notar particularmente aqui que Uddhava estudou o Bhagavatam catuh-sloki diretamente do Senhor, que os falou primeiro para Brahmaji, dessa vez o Senhor explicou mais confidencialmente o autoconhecimento mencionado como o paramam sthitim. Ao aprender esse autoconhecimento do amor, Uddhava ficou muito aflito com sentimentos de separação do Senhor. A menos que alguém desperte para o estágio de Uddhava - sentimento de separação perpétuo do Senhor em amor transcendental, como exibido pelo Senhor Chaitanya também - não pode entender o significado real dos quatro versos essenciais do Srimad Bhagavatam. Não se deve permitir o ato desautorizado de distorcer o significado e então colocar-se no perigoso caminho da ofensa. Verso 21 so 'haà tad-darçanähläda- Meu querido Vidura, agora eu estou louco por falta do prazer de vê-Lo, e justamente para mitigar isso agora prosseguirei para Badarikashrama nos Himalaias para associação, como fui instruído por Ele. Iluminação de Srila Prabhupada: Um devoto puro do Senhor do padrão de Uddhava constantemente se associa com o Senhor na percepção dupla de separação e encontro simultâneos. O devoto puro não é mesmo por um momento não dedicado no serviço transcendental do Senhor. Execução do serviço do Senhor é a ocupação principal do devoto puro. A separação do Senhor de Uddhava era insuportável, e por isso ele partiu para Badarikashrama em obediência à ordem do Senhor porque a ordem do Senhor e o Senhor Ele mesmo são idênticos. Enquanto alguém estiver dedicado na execução da ordem do Senhor, não existe separação factual Dele.
Verso 22 yatra näräyaëo devo Lá em Badarikashrama a Personalidade de Deus, em Sua encarnação como os sábios Nara e Narayana, tem Se submetido a grandes penitências desde tempo imemorável para o bem-estar de todos seres vivos amáveis. Iluminação de Srila Prabhupada: Badarikashrama nos Himalaias, a morada dos sábios Nara-Narayana, é um grande lugar de peregrinação para os Hindus. Mesmo até o presente, centenas de milhares de Hindus piedosos vão prestar respeitos para a encarnação do Supremo Nara-Narayana. Parece que mesmo cinco mil anos atrás esse lugar sagrado era visitado por um ser tão sagrado como Uddhava, e mesmo naquele tempo o lugar era conhecido como muito e muito antigo. Esse lugar de peregrinação particular é muito difícil de visitar para pessoas ordinárias por causa da situação difícil dos Himalaias num lugar que é coberto de gelo quase o ano inteiro. Por alguns meses durante a estação do verão pessoas podem visitar esse lugar com grande inconveniência pessoal. Existem quatro dhamas, ou reinos de Deus, que representam os planetas do céu espiritual, o qual consiste no brahmajyoti e Vaikunthas. Eles são Badarikashrama, Rameshvara, Jagannatha Puri e Dwaraka. Fiéis Hindus ainda visitam todos esses lugares sagrados para perfeição da realização espiritual, por seguirem os passos de devotos iguais Uddhava. Verso 23 çré-çuka uväca Sri Shukadeva Goswami disse: Depois de ouvir de Uddhava tudo sobre a aniquilação de seus amigos e familiares, o sábio Vidura pacificou seu luto avassalador por meio de seu conhecimento transcendental. Iluminação de Srila Prabhupada: Vidura foi informado que o resultado da Batalha de Kurukshetra foi a aniquilação de seus amigos e familiares e também a destruição da dinastia Yadu e também o desaparecimento do Senhor. Tudo isso o arremessou para dentro do luto por enquanto, mas porque ele era altamente avançado em conhecimento transcendental, era muito competente para acalmar a si mesmo por iluminação. Como está afirmado no Bhagavad-gita devido à nossa longa associação com relacionamentos corpóreos, luto por causa da aniquilação de amigos e familiares não é nada espantoso, mas deve-se aprender a arte de subjugar esse luto com conhecimento transcendental, superior. As conversas entre Uddhava e Vidura sobre o tópico de Krishna começou no pôr-do-sol, e Vidura agora estava mais avançado no conhecimento devido à sua associação com Uddhava. Verso 24 sa taà mahä-bhägavataà Enquanto Uddhava, o líder e mais confidencial entre os devotos do Senhor, ia embora, Vidura, em afeição e confiança, questionou-o. Iluminação de Srila Prabhupada: Vidura era muito mais velho do que Uddhava. Por relação familiar Uddhava era um irmão contemporâneo de Krishna, enquanto Vidura era tão velho quanto o pai de Krishna, Vasudeva. Porém embora mais novo por idade, Uddhava era muito avançado no serviço devocional do Senhor, e por isso ele é descrito aqui como o líder entre os devotos do Senhor. Vidura estava confiante sobre isso, e assim ele se dirigiu a Uddhava nessa categoria superior. Assim é o humor de conduta cortês entre dois devotos. Verso 25 vidura uväca Vidura disse: Ó Uddhava, porque os servos de Vishnu, o Senhor, peregrinam com o intuito de servir aos outros, é bastante adequado que você descreva o auto-conhecimento com o qual você foi iluminado pelo Senhor Ele mesmo em Pessoa. Iluminação de Srila Prabhupada: Os servidores do Senhor são na realidade os servidores da sociedade. Eles não têm nenhum interesse na sociedade humana além de iluminá-la em conhecimento transcendental; eles estão interessados em transmitirem conhecimento sobre o relacionamento do ser vivo com o Supremo Senhor, as atividades nessa relação transcendental, e o objetivo último da vida humana. Esse é o verdadeiro conhecimento que pode ajudar a sociedade alcançar o verdadeiro alvo do bem-estar humano. Conhecimento na matéria das necessidades corpóreas de comer, dormir, acasalar e temer, transformado em vários ramos do avanço do conhecimento, é tudo temporário. Um ser vivo não é o corpo material mas uma parte e parcela eterna do Ser Supremo, e por isso reviver seu auto-conhecimento é essencial. Sem esse conhecimento, a vida humana é frustrada. Os servos do Senhor, Vishnu, são incumbidos deste trabalho de responsabilidade, e assim eles viajam por toda a Terra e para todos outros planetas dentro do universo. Assim o conhecimento que foi recebido por Uddhava diretamente do Senhor merece ser distribuído na sociedade humana, especialmente para pessoas iguais Vidura, que são altamente avançadas no serviço devocional do Senhor. Verdadeiro conhecimento transcendental descende na sucessão discipular do Senhor para Uddhava, de Uddhava para Vidura e assim por diante. Esse conhecimento transcendental supremo não é possível de ser alcançado pelo processo de especulação imperfeita como executada pelos assim chamados polemistas mundanos. Vidura estava ansioso para aprender de Uddhava aquele conhecimento confidencial conhecido como paramam sthitim, no qual o Senhor é conhecido por Seus passatempos transcendentais. Embora Vidura fosse mais velho do que Uddhava, ele estava ansioso para se tornar um servo de Uddhava na relação transcendental. Essa fórmula da sucessão discipular transcendental é ensinada pelo Senhor Chaitanya também. O Senhor Chaitanya aconselha que deve-se receber conhecimento transcendental de qualquer um - seja um brahmana ou um sudra, um casado ou um sannyasi - desde que essa pessoa seja versada factualmente com a ciência de Krishna. Uma pessoa que conhece a ciência de Krishna é factualmente um mestre espiritual fidedigno. Verso 26 uddhava uväca Sri Uddhava disse: Você pode tomar lições do grande sábio versado Maitreya, que está aqui perto e que é adorável para recepção do conhecimento transcendental. Ele foi instruído diretamente pela Personalidade de Deus enquanto Ele estava quase para sair deste mundo mortal. Iluminação de Srila Prabhupada: Embora alguém possa ser bem versado na ciência transcendental, ele deve ter cuidado com a ofensa de maryada-vyatikrama, ou sobrepassar impertinentemente uma personalidade mais elevada. De acordo com a injunção da escritura deve-se ter muito cuidado para não transgredir a lei de maryada-vyatikrama porque por fazer isso a pessoa perde sua duração de vida, sua opulência, fama e piedade e as bênçãos de todo o mundo. Para ser bem versado na ciência transcendental necessita consciência das técnicas da ciência espiritual. Uddhava, por ser bem consciente desses detalhes técnicos da ciência transcendental, aconselhou Vidura a se aproximar de Maitreya Rishi para receber conhecimento transcendental. Vidura queria aceitar Uddhava como seu mestre espiritual, mas Uddhava não aceitou o posto porque Vidura era tão velho quanto o pai de Uddhava e por isso Uddhava não podia aceitá-lo como seu discípulo, especialmente quando Maitreya estava presente perto dali. A regra é que na presença de uma personalidade superior não se deve ser muito ávido para transmitir instruções, mesmo se for competente e bem versado. Por isso Uddhava decidiu enviar uma pessoa mais velha igual Vidura para Maitreya, outra pessoa idosa, mas ele era bem versado também porque foi diretamente instruído pelo Senhor enquanto Ele estava quase para deixar este mundo mortal. Porque ambos Uddhava e Maitreya foram instruídos diretamente pelo Senhor, ambos tinham a autoridade de se tornarem o mestre espiritual de Vidura ou qualquer outra pessoa, mas Maitreya, por ser mais velho, tinha a primeira reivindicação para se tornar o mestre espiritual, especialmente para Vidura, que era bem mais velho do que Uddhava. Não se deve ser ansioso para se tornar um mestre espiritual de forma barata com o propósito de lucro e fama, mas deve-se tornar um mestre espiritual unicamente para o serviço do Senhor. O Senhor nunca tolera a impertinência de maryada-vyatikrama. Ninguém nunca deve passar por cima da honra devida a um mestre espiritual mais velho nos interesses de seu próprio ganho e fama pessoais. Impertinência da parte de um pseudo mestre espiritual é muito arriscada para realização espiritual progressiva. Verso 27 çré-çuka uväca Shukadeva Goswami disse: Ó Rei, depois de discutir assim com Vidura o nome, fama, qualidades transcendentais etc., na margem do Yamuna, Uddhava estava sobrecarregado com grande aflição. Ele passou a noite como se fosse um momento, e depois disso foi embora. Iluminação de Srila Prabhupada: A palavra usada aqui para Krishna é visva-murti. Ambos Uddhava e Vidura estavam em grande aflição por causa da partida do Senhor Krishna, e quanto mais discutiam o nome, fama e qualidades transcendentais do Senhor, mais o quadro do Senhor se tornava visível para eles em toda parte. Essa visualização da forma transcendental do Senhor não é nem falsa nem imaginária mas é Verdade Absoluta factual. Quando o Senhor é percebido como visva-murti, não é que Ele perde Sua personalidade ou forma eterna transcendental, mas Ele Se torna visível na mesma forma em toda parte.
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Desde 18/julho/2000 (Última Edição: 01-nov-2026 ) |