hare krishna hare krishna krishna krishna hare hare hare rama hare rama rama rama hare hare
|
Todas as Glórias a Sri Guru e Sri Gauranga (Original Sem "correções")
Segundo Canto A Manifestação Cósmica
-.- |
|
Capítulo Dez Bhagavatam é a Resposta para todas Perguntas Verso 1 çré-çuka uväca Sri Shukadeva Goswami disse: No Srimad Bhagavatam há dez divisões de declarações a respeito do seguinte: a criação do universo, subcriação, sistemas planetários, proteção do Senhor, o ímpeto criativo, a mudança dos Manus, a ciência de Deus, retorno ao lar, de volta ao Supremo, liberação, e o summum bonum. Verso 2 daçamasya viçuddhy-arthaà Para isolar a transcendência do summum bonum, os sintomas do resto às vezes são descritos por inferência Védica, às vezes por explanação direta, e às vezes por explanações resumidas dadas por grandes sábios. Verso 3 bhüta-mätrendriya-dhiyäà A criação elementar de dezesseis itens da matéria - a saber, os cinco elementos (fogo, água, terra, ar e céu), som, forma, sabor, cheiro, tato, e os olhos, ouvidos, nariz, língua, pele e mente - é conhecida como sarga, enquanto a interação resultante subseqüente dos modos da natureza material é chamada visarga. Iluminação de Srila Prabhupada: Com o propósito de explicar os dez sintomas divisionais do Srimad Bhagavatam, há sete versos contínuos. O primeiro desses sob referência pertence às dezesseis manifestações elementares de terra, água etc., com ego material composto de inteligência e mente materiais. A criação subseqüente é um resultado das reações das dezesseis energias mencionadas acima do primeiro purusa, a encarnação Maha-Vishnu de Govinda, como foi explicado depois por Brahma em seu tratado Brahma Samhita (5.47) a seguir: yaù käraëärëava-jale bhajati sma yoga- A primeira encarnação purusa de Govinda, Senhor Krishna, conhecido como Maha-Vishnu, entra num sono místico yoga-nidra, e os inumeráveis universos ficam situados em potência em cada e todo orifício capilar de Seu corpo transcendental. Como mencionado no verso prévio, srutena (ou com referência às conclusões Védicas), a criação se torna possível da Suprema Personalidade de Deus diretamente pela manifestação de Suas energias particulares. Sem essa referência Védica, a criação parece ser um produto da natureza material. Essa conclusão vem de um pobre fundo de conhecimento. Da referência Védica conclui-se que a origem de todas energias (a saber, interna, externa e marginal) é a Suprema Personalidade de Deus. E como explicado aqui antes, a conclusão ilusória é que criação se torna possível pela natureza material inerte. A conclusão Védica é luz transcendental, enquanto a conclusão não Védica é escuridão material. A potência interna do Supremo Senhor é idêntica ao Supremo Senhor, e a potência externa é animada em contato com a potência interna. As partes e parcelas da potência interna a qual reage em contato com a potência externa são chamadas a potência marginal, ou os seres vivos. Assim a criação original é diretamente da Suprema Personalidade de Deus, ou Parabrahman, e a criação secundária, como um resultado reacionário dos ingredientes originais, é feita por Brahma. Assim as atividades do universo inteiro são iniciadas. Verso 4 sthitir vaikuëöha-vijayaù A situação correta para os seres vivos é obedecer às leis do Senhor e assim ficar em paz mental perfeita sob a proteção da Suprema Personalidade de Deus. Os Manus e suas leis são destinados para dar orientação correta na vida. O ímpeto por atividade é o desejo por trabalho lucrativo. Iluminação de Srila Prabhupada: Este mundo material é criado, mantido por algum tempo, e novamente aniquilado pela vontade do Senhor. Os ingredientes para criação e o criador subordinado, Brahma, são criados primeiro pelo Senhor Vishnu em Suas primeira e segunda encarnações. A primeira encarnação purusa é Maha-Vishnu, e a segunda encarnação purusa é Garbhodakashayi Vishnu, de quem Brahma é criado. O terceiro purusa avatara é o Kshirodakashayi Vishnu, que vive como a Superalma de tudo dentro do universo e mantém a criação gerada por Brahma. Shiva é um dos muitos filhos de Brahma, e ele aniquila a criação. Por isso o criador original do universo é Vishnu, e Ele também é o mantenedor dos seres criados por Sua misericórdia sem causa. Dessa forma, é o dever de todas almas condicionadas reconhecerem a vitória do Senhor e assim se tornarem devotos puros e viverem pacificamente neste mundo, onde misérias e perigos estão sempre em existência. As almas condicionadas, que aceitam esta criação material como o lugar para satisfação dos sentidos e assim ficam iludidas pela energia externa de Vishnu, permanecem novamente para serem sujeitas às leis da natureza material, criação e destruição. No Bhagavad-gita está dito que a começar a partir do planeta mais elevado deste universo abaixo até o planeta mais baixo, Patalaloka, tudo é destrutível, e as almas condicionadas podem viajar no espaço tanto por bom quanto mau trabalho ou por espaçonaves modernas, mas eles estão certos de morrer em toda parte, embora a duração de vida em planetas diferentes seja diferente. O único meio para obter vida eterna é ir de volta ao lar, de volta ao Supremo, onde não existe mais renascimento igual nos planetas materiais. As almas condicionadas, não cientes desse simples fato por causa do esquecimento do relacionamento com o Senhor de Vaikuntha, tentam planejar uma vida permanente dentro deste mundo material. Iludidas pela energia externa, elas assim se tornam engajadas em vários tipos de desenvolvimento econômico e religioso, esquecidas que são destinadas para ir de volta ao lar, de volta ao Supremo. Esse esquecimento é tão forte devido à influência de maya tanto que as almas condicionadas não querem ir de volta ao Supremo de jeito nenhum. Pelo prazer sensual elas se tornam vítimas de nascimento e morte repetidamente e assim arruínam vidas humanas que são chances de ir de volta a Vishnu. As escrituras diretivas feitas pelos Manus em diferentes eras e milênios são chamadas sad-dharma, boa orientação para os seres humanos que devem aproveitar a vantagem de todas as escrituras reveladas para seu próprio interesse, para que a vida termine com sucesso. A criação não é falsa, mas é uma manifestação temporária justamente para dar uma chance para as almas condicionadas de irem de volta ao Supremo. O desejo para ir de volta ao Supremo e funções realizadas nessa direção formam o caminho certo do trabalho. Quando esse caminho regulador é aceito, o Senhor dá toda proteção para Seus devotos por Sua misericórdia sem causa, enquanto os não devotos arriscam suas próprias atividades para se prenderem numa corrente de reações lucrativas. A palavra sad-dharma é significativa nessa conexão. Sad-dharma, ou dever realizado para ir de volta ao Supremo e assim se tornar Seu devoto imaculado, é a única atividade piedosa; todas outras podem ter a pretensão de serem piedosas, mas na realidade não são. E é por essa razão unicamente que o Senhor aconselha no Bhagavad-gita que qualquer um abandone todas assim chamadas atividades religiosas e se engaje completamente no serviço devocional do Senhor para ficar livre de todas ansiedades devido à vida perigosa da existência material. O trabalho situado em sad-dharma é a direção certa da vida. O objetivo da vida de qualquer um deve ser ir de volta ao lar, de volta ao Supremo, e não ficar sujeito a repetidos nascimentos e mortes no mundo material por obter bons ou maus corpos para existência temporária. Aqui está situada a inteligência da vida humana, e deve-se desejar as atividades da vida nesse caminho. Verso 5 avatäränucaritaà A ciência de Deus descreve encarnações da Personalidade de Deus e Suas diferentes atividades juntas com as atividades de Seus grandes devotos. Iluminação de Srila Prabhupada: Durante o curso da existência da manifestação cósmica, a cronologia da história é criada, que registra as atividades dos seres vivos. Pessoas em geral têm uma tendência de aprender a história e narrações de diferentes pessoas e tempos, mas devido a uma carência de conhecimento na ciência do Supremo, não estão aptas para estudar a história das encarnações da Personalidade de Deus. Sempre deve ser lembrado que a criação material é criada para a salvação das almas condicionadas. O Senhor misericordioso, por Sua misericórdia sem causa, descende para vários planetas no mundo material e age para a salvação das almas condicionadas. Isso torna a história e narrações dignas de serem lidas. Srimad Bhagavatam oferece esses tópicos transcendentais do Senhor em relação com seus grandes devotos. Por isso os tópicos dos devotos e o Senhor devem receber uma recepção auditiva respeitosa. Verso 6 nirodho 'syänuçayanam A imersão do ser vivo, junto com sua tendência de viver condicionado, com o repouso místico de Maha-Vishnu é chamada a finalização da manifestação cósmica. Liberação é a situação permanente da forma do ser vivo depois que ele abandona os mutáveis corpos materiais grosseiro e sutil. Iluminação de Srila Prabhupada: Como já discutimos várias vezes, existem dois tipos de seres vivos. A maioria deles é sempre liberado, ou nitya-muktas, enquanto alguns deles são sempre condicionados. As almas sempre condicionadas estão aptas para desenvolver uma mentalidade de dominar a natureza material, e por isso a criação da manifestação cósmica é manifestada para dar às almas condicionadas dois tipos de facilidades. Uma facilidade é que a alma condicionada pode atuar de acordo com sua tendência de dominar a manifestação cósmica, e a outra facilidade dá para a alma condicionada uma chance de ir de volta ao Supremo. Assim depois da finalização da manifestação cósmica, a maioria das almas condicionadas imerge na existência da Personalidade de Deus Maha-Vishnu, que está deitado em Seu sono místico, para ser criada novamente na próxima criação. Mas algumas almas condicionadas, que seguem o som transcendental na forma das literaturas Védicas e por isso são capazes de ir de volta ao Supremo, obtêm corpos espirituais e originais depois de saírem dos corpos materiais condicionados grosseiro e sutil. Os corpos materiais condicionados desenvolvem-se por causa do esquecimento dos seres vivos da sua relação com o Supremo, e durante o curso da manifestação cósmica, as almas condicionadas recebem uma chance de reviver seu status de vida com a ajuda das escrituras reveladas, tão misericordiosamente compiladas pelo Senhor em Suas diferentes encarnações. Ler ou ouvir essas literaturas transcendentais ajuda qualquer um a ficar liberado mesmo no estado condicionado da existência material. Todas as literaturas Védicas se direcionam para o serviço devocional da Personalidade de Deus, e logo que alguém se torna fixo até esse ponto, fica imediatamente liberado da vida condicionada. As formas materiais grosseira e sutil são simplesmente por causa da ignorância da alma condicionada e logo que fica fixa no serviço devocional do Senhor, torna-se elegível para ficar livre do estado condicionado. Esse serviço devocional é atração transcendental pelo Supremo por causa Dele ser a fonte de todos humores agradáveis. Todos estão atrás de algum prazer de humor para desfrute, mas não conhecem a fonte suprema de toda atração (raso vai sah rasam hy evayam labdhvanandi bhavati). Os hinos Védicos informam todos sobre a fonte suprema de todo prazer; a fonte ilimitada de todo prazer é a Personalidade de Deus, e aquele que é afortunado o bastante para obter essa informação através das literaturas transcendentais igual Srimad Bhagavatam se torna permanentemente liberado para ocupar seu lugar apropriado no reino de Deus. Verso 7 äbhäsaç ca nirodhaç ca A pessoa suprema que é celebrado como o Ser Supremo ou a Alma Suprema é a fonte suprema da manifestação cósmica e também seu reservatório e finalização. Assim Ele é o Manancial Supremo, a Verdade Absoluta. Iluminação de Srila Prabhupada: Sinônimos para a fonte suprema de todas energias, como explicado no próprio começo do Srimad Bhagavatam, são janmady asya yatah (Bhag. 1.1.1), vadanti tat tattva-vidas tattvam yaj jñanam advayam/ brahmeti paramatmeti bhagavan iti sabdyate, chamado Parambrahma, Paramatma ou Bhagavan. A palavra iti usada aqui neste verso completa os sinônimos e assim indica Bhagavan. Isso será mais explicado nos versos posteriores, mas esse Bhagavan ultimamente significa Senhor Krishna porque o Srimad Bhagavatam já aceitou a Suprema Personalidade de Deus como Krishna. Krsnas tu bhagavan svayam (Bhag. 1.3.28). A fonte original de todas energias, ou o summum bonum, é a Verdade Absoluta, que é chamado Parambrahma etc., e Bhagavan é a última palavra da Verdade Absoluta. Mas mesmo com os sinônimos para Bhagavan, tais quais Narayana, Vishnu e Purusha, a última palavra é Krishna, como confirmado no Bhagavad-gita: aham sarvasya prabhavo mattah sarvam pravartate (Bg. 10.8) etc.. Além disso, o Srimad Bhagavatam é a representação do Senhor Krishna como uma encarnação sonora do Senhor. kåñëe sva-dhämopagate Assim por conclusão geral o Senhor Krishna é a fonte última de todas energias, e a palavra Krishna significa isso. E para explicar Krishna ou a ciência de Krishna, o Srimad Bhagavatam foi preparado. No Primeiro Canto do Srimad Bhagavatam essa verdade é indicada nas perguntas e respostas por Suta Goswami e grandes sábios tal qual Shaunaka, e no Primeiro e Segundo Capítulos do canto isso é explicado. No Terceiro Capítulo esse assunto fica mais explícito, e no Quarto Capítulo ainda mais explícito. No Segundo Canto a Verdade Absoluta como a Personalidade de Deus é mais enfatizada, e a indicação do Supremo Senhor Krishna. O resumo do Srimad Bhagavatam em quatro versos, como nós já discutimos, é sucinta. Essa Suprema Personalidade de Deus na última instância é confirmada por Brahma em seu Brahma Samhita como isvarah paramah krsnah sac-cid-ananda-vigrahah (Bs. 5.1). Assim isso fica concluído no Terceiro Canto do Srimad Bhagavatam. O assunto completo é explicado elaboradamente no Décimo e Décimo Primeiro Cantos do Srimad Bhagavatam. Sobre o assunto das mudanças de Manus ou manvantaras, tais quais Swayambhuva-manvantara e Chakshusha-manvantara, como são discutidos no Terceiro, Quarto, Quinto, Sexto e Sétimo Cantos do Srimad Bhagavatam, o Senhor Krishna é indicado. No Oitavo Canto o Vaivasvata-manvantara explica o mesmo assunto indiretamente, e no Nono Canto o mesmo significado está lá. No Décimo Segundo Canto o mesmo é mais explicado, especialmente a respeito das diferentes encarnações do Senhor. Assim é concluído por estudar o Srimad Bhagavatam completo que o Senhor Sri Krishna é o summum bonum último, ou a fonte última de toda energia. E de acordo com os graus de adoradores, as indicações da nomenclatura podem ser explicadas diferentemente como Narayana, Brahma, Paramatma etc.. Verso 8 yo 'dhyätmiko 'yaà puruñaù A pessoa individual que possui diferentes instrumentos dos sentidos é chamada a pessoa adhyatmic, e a deidade controladora individual dos sentidos se chama adhidaivic. A corporificação vista nos globos oculares se chama a pessoa adhibhautic. Iluminação de Srila Prabhupada: O supremo controlador summum bonum é a Personalidade de Deus em Sua porção plenária de Paramatma, ou a manifestação da Superalma. No Bhagavad-gita está dito (10.42): athavä bahunaitena Todas as deidades controladores tais quais Vishnu, Brahma e Shiva são diferentes manifestações do aspecto Paramatma da Suprema Personalidade de Deus Sri Krishna, que Se exibe Ele mesmo em tantas maneiras por entrar em cada e todo universo gerado por Ele. Porém ainda aparentemente existem divisões do controlador e controlado. Por exemplo, no departamento de controle de alimentos o controlador de alimento é uma pessoa feita com os mesmos ingredientes da pessoa que é controlada. Similarmente, cada e todo indivíduo no mundo material é controlado por semideuses superiores. Por exemplo, nós temos nossos sentidos, porém os sentidos são controlados por deidades controladoras superiores. Não podemos ver sem luz, e o controlador supremo da luz é o Sol. O deus do Sol está dentro do planeta Sol, e nós, os seres vivos individuais ou qualquer outro ser sobre esta Terra, são todos controlados pelo deus do Sol no que diz respeito aos nossos olhos. Similarmente, todos os sentidos que temos são controlados pelos semideuses superiores, que também são seres vivos tanto quanto nós, porém um é dotado de poder enquanto o outro é controlado. O ser vivo controlado é chamado a pessoa adhyatmic, e o controlador é chamado a pessoa adhidaivic. Todas essas posições no mundo material são devido a diferentes atividades lucrativas. Qualquer ser vivo individual pode se tornar um deus do Sol ou mesmo Brahma ou qualquer outro deus no sistema planetário superior por uma alta graduação de trabalho piedoso, e similarmente alguém se torna controlado pelos semideuses superiores por baixas graduações de atividades lucrativas. Assim qualquer ser vivo individual é sujeito ao controle supremo de Paramatma, que coloca todos em diferentes posições do controlador e o controlado. Aquilo que distingue o controlador e controlado, ou seja, o corpo material, é chamado o adhibhautic purusa. O corpo é às vezes chamado purusa, como confirmado nos Vedas no seguinte hino: sa va esa puruso 'nna-rasamayah. Este corpo é chamado a corporificação anna-rasa. Este corpo depende de comida. O ser vivo o qual é corporificado não come nada, entretanto, porque o proprietário é espírito em essência. O corpo material requer reposição de matéria para o desgaste do corpo mecânico. Por isso a distinção entre o ser vivo individual e deidades planetárias de controle está no corpo anna-rasamaya. O Sol pode ter um corpo gigantesco, e o humano pode ter um corpo menor, mas todos esses corpos visíveis são feitos de matéria; apesar disso, o deus do Sol e a pessoa individual, que estão relacionados como o controlador e o controlado, são as mesmas partes e parcelas do Ser Supremo, e é o Ser Supremo que coloca diferentes partes e parcelas em diferentes posições. E assim a conclusão é que a Pessoa Suprema é o abrigo de tudo. Verso 9 ekam ekataräbhäve Todos três dos estágios mencionados acima de diferentes seres vivos são interdependentes. Na ausência de um, outro não é entendido. Mas o Ser Supremo que vê cada um deles como o abrigo do abrigo é independente de tudo, e por isso Ele é o abrigo supremo. Iluminação de Srila Prabhupada: Existem inumeráveis seres vivos, um dependente do outro na relação do controlador e o controlado. Mas sem o meio de percepção, ninguém pode conhecer ou entender quem é o controlador e quem é o controlado. Por exemplo, o Sol controla o poder da nossa visão, nós podemos ver o Sol porque o Sol tem seu corpo, e a luz solar é útil unicamente porque nós temos olhos. Sem ter olhos, a luz solar é inútil, e sem a luz solar os olhos são inúteis. Assim eles são interdependentes, e nenhum deles é independente. Assim a dúvida natural surge concernente a quem os fez interdependentes. Aquele que fez uma relação de interdependência assim tem que ser ultimamente completamente independente. Como está afirmado no começo do Srimad Bhagavatam, a fonte última de todos objetivos interdependes é o sujeito completamente independente. A fonte última de toda interdependência é a Verdade Absoluta ou Paramatma, a Superalma, que não é dependente de nada mais. Ele é svasrayasrayah. Ele só depende de Seu próprio Eu, por isso Ele é o abrigo supremo de tudo. Embora Paramatma e Brahman sejam subordinados a Bhagavan, porque Bhagavan é Purushottama ou a Superpessoa, Ele é a fonte da Superalma também. No Bhagavad-gita (15.18) o Senhor Krishna diz que Ele é Purushottama e a fonte de tudo, e assim fica concluído que Sri Krishna é a fonte última e abrigo de todos seres, inclusive a Superalma e o Brahman Supremo. Mesmo se aceitar que não tem diferença entre a Superalma e a alma individual, a alma individual é dependente da Superalma para ser liberada da ilusão da energia material. O indivíduo está sob as garras da energia ilusória, e por isso embora qualitativamente una com a Superalma, está sob a ilusão de se identificar com matéria. E para sair desse conceito ilusório da vida factual, a alma individual tem que depender da Superalma para ser reconhecida como una com Ele. Nesse sentido também a Superalma é o abrigo supremo. E não tem nenhuma dúvida quanto a isso. O ser vivo individual, o jiva, é sempre dependente da Superalma, Paramatma, porque a alma individual esquece sua identidade espiritual enquanto a Superalma, Paramatma, não esquece Sua posição transcendental. No Bhagavad-gita essas posições separadas do jiva-tattva e o Paramatma são mencionadas especificamente. No Quarto Capítulo, Arjuna, a alma jiva, é representado como esquecido de seus muitos e muitos nascimentos prévios, mas o Senhor, a Superalma, não é esquecido. O Senhor lembra até mesmo quando Ele ensinou o Bhagavad-gita para o deus do Sol alguns bilhões de anos atrás. O Senhor pode lembrar esses milhões e bilhões de anos, como está afirmado no Bhagavad-gita (7.26) a seguir: vedähaà samatétäni O Senhor em Seu corpo eterno bem-aventurado de conhecimento é plenamente consciente de tudo que aconteceu no passado, aquilo que acontece no presente e também aquilo que acontecerá no futuro. Mas apesar Dele ser o abrigo de ambos o Paramatma e Brahman, pessoas com um pobre fundo de conhecimento são incapazes de entendê-Lo como Ele é. A propaganda da identidade da consciência cósmica com a consciência dos seres vivos individuais é completamente enganadora porque mesmo uma pessoa assim como Arjuna não podia lembrar seus atos passados, embora ele esteja sempre com o Senhor. E o que pode a insignificante pessoa ordinária, que alega falsamente ser una com a consciência cósmica, saber sobre seu passado, presente e futuro? Verso 10 puruño 'ëòaà vinirbhidya Depois de separar os diferentes universos, a gigantesca forma universal do Senhor (Maha-Vishnu), que saiu do oceano causal, o local do aparecimento para o primeiro purusa-avatara, entrou dentro em cada um dos universos separados, com o desejo de deitar sobre a água transcendental criada (Garbhodaka). Iluminação de Srila Prabhupada: Após análise dos seres vivos e o Supremo Senhor, Paramatma, a fonte independente de todos outros seres vivos, Srila Shukadeva Goswami agora apresenta a necessidade primordial para serviço devocional do Senhor, que é a única obrigação ocupacional de todos seres vivos. O Supremo Senhor Sri Krishna e todas Suas porções plenárias e extensões das porções plenárias não são diferentes um do outro, e assim a independência suprema está em cada um e todos eles. E com o propósito de provar isso, Shukadeva Goswami (como prometido ao Rei Parikshit) descreve aqui a independência do purusa-avatara a Personalidade de Deus, mesmo na esfera da criação material. Tais atividades do Senhor também são transcendentais, e por isso também são lila, ou passatempos, do Senhor absoluto. Esses passatempos do Senhor são muito propícios aos ouvintes para auto-realização no campo do serviço devocional. Alguns podem argumentar, porque eles não apreciam a lila transcendental do Senhor como exibida nas terras de Mathura e Vrindavana, que são mais doces do que qualquer outra coisa no mundo? Srila Vishvanatha Chakravarti Thakura responde que os passatempos do Senhor em Vrindavana são destinados para serem saboreados por devotos do Senhor avançados. Devotos neófitos entenderão mal essas atividades transcendentais supremas do Senhor, e por isso os passatempos do Senhor na esfera material relacionados com a criação, manutenção e destruição são muito apreciados pelo prakrta, ou devotos mundanos do Senhor. Do mesmo modo que o sistema de yoga baseado principalmente em exercícios físicos é destinado para a pessoa que é muito apegada ao conceito corpóreo de existência, similarmente os passatempos do Senhor relacionados com a criação e destruição do mundo material são para aqueles que são muito apegados materialmente. Para essas criaturas mundanas as funções do corpo e as funções do mundo cósmico através de leis físicas em relação com o Senhor também são incluídas no entendimento do legislador, a Suprema Personalidade de Deus. Os cientistas explicam as funções materiais com tantos termos tecnológicos da lei material, mas esses cientistas cegos esquecem o legislador. O Srimad Bhagavatam indica o legislador. Ninguém deve ficar impressionado pelo arranjo mecânico do motor ou dínamo complicado, mas deve-se elogiar o engenheiro que criou uma máquina funcional maravilhosa. Essa é a diferença entre o devoto e o não devoto. Devotos estão sempre cheios com louvor ao Senhor, que dirige as leis físicas. No Bhagavad-gita (9.10) a direção do Senhor sobre a natureza material é descrita a seguir: mayädhyakñeëa prakåtiù "A natureza material cheia de leis físicas é uma das Minhas diferentes energias; por isso não é nem independente nem cega. Porque Eu sou transcendentalmente todo-poderoso, simplesmente pelo Meu olhar sobre a natureza material, as leis físicas funcionam por causa disso, e assim o mundo material é criado, mantido e aniquilado repetidamente". Pessoas com um pobre fundo de conhecimento, entretanto, ficam impressionadas ao estudar as leis físicas tanto dentro da construção do corpo individual como dentro da manifestação cósmica, e estupidamente desacreditam a existência de Deus, e aceitam isso como certo que as leis físicas são independentes, sem nenhum controle metafísico. O Bhagavad-gita (9.11) responde a essa asneira nas seguintes palavras: avajänanti mäà müòhä "As pessoas tolas (mudhah) não conhecem a Personalidade de Deus em Sua forma eterna de bem-aventurança e conhecimento". A pessoa tola pensa no corpo transcendental do Senhor como algo tipo o seu próprio, e por isso não pode pensar no poder controlador ilimitado do Senhor, que não é visível na atuação das leis físicas. O Senhor é, entretanto, visível a olho nu das pessoas em geral quando Ele descende em Pessoa pela Sua própria potência pessoal. O Senhor Krishna Se encarnou como Ele é e desempenhou muitos papéis maravilhosos como o próprio Senhor Ele mesmo, e o Bhagavad-gita concerne essas ações e conhecimento maravilhosos. Mesmo assim pessoas tolas não aceitam o Senhor Krishna como o Ser Supremo. Geralmente elas consideram as características infinitesimal e infinito do Senhor porque elas mesmas são incapazes de se tornarem nem infinitesimal nem infinito, porém todos devem saber que os tamanhos infinito e infinitesimal do Senhor não são Suas maiores glórias. A mais maravilhosa manifestação do poder do Senhor é exibida quando o Senhor infinito Se torna visível para nossos olhos como um de nós. Mesmo assim Suas atividades são diferentes daquelas dos seres finitos. Levantar uma montanha com a idade de sete anos e casar com dezesseis mil esposas no auge de Sua juventude são alguns dos exemplos da Sua energia infinita, porém os mudhas, depois de vê-las ou ouvir sobre elas, as depreciam como lendárias e consideram o Senhor como um deles. Eles não podem entender que o Senhor Sri Krishna, embora na forma de um ser humano por Sua própria potência, ainda é o Ser Supremo com toda potência como o supremo controlador. Quando, entretanto, os mudhas dão recepção auditiva submissa para as mensagens do Senhor tais quais no Srimad Bhagavad-gita ou no Srimad Bhagavatam através do canal da sucessão discipular, esses mudhas também se tornam devotos do Senhor pela graça de Seus devotos puros. E por essa razão unicamente, tanto no Bhagavad-gita quanto no Srimad Bhagavatam, os passatempos do Senhor no mundo material são delineados para o benefício dessas pessoas com um pobre fundo de conhecimento. Verso 11 täsv avätsét sva-såñöäsu A Pessoa Suprema não é impessoal e por isso é distintamente um nara, ou pessoa. Dessa forma a água transcendental criada do Nara Supremo é conhecida como nara. E porque Ele deita sobre essa água, Ele é conhecido como Narayana. Verso 12 dravyaà karma ca kälaç ca Qualquer um deve saber definitivamente que todos ingredientes materiais, atividades, tempo e modos, e os seres vivos que são destinados a desfrutar tudo isso, existem por Sua misericórdia unicamente, e tão logo Ele não Se importe com eles, tudo se torna não existente. Iluminação de Srila Prabhupada: Os seres vivos são os desfrutadores dos ingredientes materiais, modos etc., porque eles querem dominar a natureza material. O Senhor é o desfrutador supremo, e os seres vivos são destinados a assistirem o Senhor em Seu desfrute e assim participarem no desfrute transcendental de todos. O desfrutador e o desfrutado ambos participam do desfrute, mas, desiludidos pela energia ilusória, os seres vivos querem se tornar o desfrutador igual o Senhor, embora não sejam destinados para esse desfrute. Os jivas, os seres vivos, são mencionados no Bhagavad-gita como da natureza superior do Senhor, ou para prakrti, e assim também está mencionado no Vishnu Purana. Assim os seres vivos nunca são os purusas, ou os desfrutadores factuais. Dessa forma, o espírito de desfrute pelo ser vivo dentro do mundo material é falso. No mundo espiritual os seres vivos são puros por natureza, e por isso são associados no desfrute do Supremo Senhor. No mundo material o espírito de desfrute dos seres vivos por conta de suas próprias ações (karma) gradualmente desaparece pelas leis da natureza, e assim a energia ilusória dita nos ouvidos das almas condicionadas que elas têm que se tornar unas com o Senhor. Essa é a última armadilha da energia ilusória. Quando a última ilusão também é limpa pela misericórdia do Senhor, o ser vivo novamente fica reintegrado em sua posição original e dessa forma fica liberado de verdade. Para essa obtenção da liberação das garras materiais, o Senhor cria o mundo material, mantém por algum tempo (mil anos na medida Dele, como afirmado no verso prévio), e então novamente o aniquila por Sua vontade. Os seres vivos são dessa forma completamente dependentes da misericórdia do Senhor, e seus assim chamados desfrutes por melhorias científicas são esmagados até virarem pó quando o Senhor deseja. Verso 13 eko nänätvam anvicchan O Senhor, enquanto deitado na Sua cama de sono místico, gerou o símbolo seminal, de coloração dourada, através da energia externa pelo Seu desejo de manifestar variedades de seres vivos Dele mesmo unicamente. Iluminação de Srila Prabhupada: No Bhagavad-gita (9.7-8) a criação e aniquilação do mundo material estão declaradas a seguir: sarva-bhütäni kaunteya prakåtià sväm avañöabhya "No final de cada milênio as forças criativas, a saber, a natureza material e os seres vivos que lutam dentro da natureza material, todos imergem juntos no corpo transcendental do Senhor, e novamente quando o Senhor deseja manifestá-los, todos eles são exibidos novamente pelo Senhor". "Por isso a natureza material trabalha sob o controle do Senhor. Todos eles, sob a agência da natureza material e sob o controle do Senhor, são dessa forma criados e aniquilados repetidamente pela vontade do Senhor". Assim, antes da criação ou manifestação do mundo cósmico material, o Senhor existe como energia total (maha-samasti), e assim com desejo de ser Ele mesmo difundido para muitos, Ele Se expande Ele mesmo mais em energia multitotal (samasti). Da energia multitotal Ele Se expande Ele mesmo mais dentro de indivíduos em três dimensões, a saber, adhyatmic, adhidaivic e adhibhautic, como explicado anteriormente (yasti). Dessa forma, a criação inteira e as energias criativas não são diferentes e são diferentes simultaneamente. Porque tudo é uma emanação Dele (o Maha-Vishnu ou Maha-samasti), nada das energias cósmicas é diferente Dele; mas todas essas energias expandidas têm funções específicas e se exibem como projetado pelo Senhor, e por isso elas são simultaneamente diferentes do Senhor. Os seres vivos também são energia similar (potência marginal) do Senhor, e assim eles são simultaneamente unos com e diferentes Dele. No estágio da não manifestação, os seres vivos permanecem potentes dentro do Senhor, e quando eles são libertados dentro da manifestação cósmica eles são exibidos diferentemente em termos de desejos diferentes sob os modos da natureza. Essas manifestações diferenciais de seres vivos são estados condicionados dos seres vivos. Os seres vivos liberados, entretanto, dentro da manifestação sanatana (eterna), são almas rendidas incondicionais, e por isso não são sujeitos às condições de criação e aniquilação. E assim esta criação acontece pelo olhar do Senhor de Seu leito de sono místico. E então todos os universos e o senhor do universo, Brahma, são repetitivamente manifestados e aniquilados uma e outra vez.
|
|
|
Continua em breve...
|
Desde 18/julho/2000 (Última Edição: 03-mai-2026 ) |