hare krishna hare krishna krishna krishna hare hare hare rama hare rama rama rama hare hare

Todas as Glórias a Sri Guru e Sri Gauranga
Nitai Gaura Hari Bol

Srimad Bhagavatam
(de Krishna Dwaipayana Vyasa - Srila Vyasadeva)

pela Divina Graça
de
Sri Srimad Bhaktivedanta Swami Maharaj Prabhupada
Paramahamsa Thakura Mahashaya

(Original Sem "correções")

 

Segundo Canto

A Manifestação Cósmica

-.-

Capítulo Nove

Respostas por Citar a Versão do Senhor

Verso 1

çré-çuka uväca
ätma-mäyäm åte räjan
parasyänubhavätmanaù
na ghaöetärtha-sambandhaù
svapna-drañöur iväïjasä

Sri Shukadeva Goswami disse: Ó Rei, a menos que alguém esteja influenciado pela energia da Suprema Personalidade de Deus, não tem nenhum sentido para o relacionamento da alma pura em consciência pura com o corpo material. Esse relacionamento é justamente igual um sonhador que vê seu próprio corpo a trabalhar.

Iluminação de Srila Prabhupada:

A pergunta de Maharaja Parikshit sobre como um ser vivo começa sua vida material, embora esteja à parte do corpo material e mente, é perfeitamente respondida. A alma espiritual é distinta do conceito material da sua vida, porém ela está absorta num conceito material assim porque está influenciada pela energia externa do Senhor, chamada atma-maya. Isso já foi explicado no Primeiro Canto em conexão com a realização de Vyasadeva do Supremo Senhor e Sua energia externa. A energia externa é controlada pelo Senhor, e os seres vivos são controlados pela energia externa - pela vontade do Senhor. Por isso, embora o ser vivo seja consciência pura em seu estado puro, ele é subordinado à vontade do Senhor de ser influenciado pela energia externa do Senhor. No Bhagavad-gita (15.15) também a mesma coisa é confirmada; o Senhor está presente dentro do coração de todo ser vivo, e a consciência e esquecimento do ser vivo são influenciados pelo Senhor.

Agora a próxima pergunta a ser feita automaticamente será por que o Senhor influencia o ser vivo para tais consciência e esquecimento. A resposta é que o Senhor claramente deseja que todo ser vivo esteja em sua consciência pura como uma parte e parcela do Senhor e assim estar dedicado no serviço amoroso do Senhor do modo como foi feito constitucionalmente; mas porque o ser vivo é parcialmente independente também, pode não estar com vontade de servir o Senhor, mas deve tentar se tornar tão independente quanto o Senhor. Todos os seres vivos não devotos são desejosos de se tornarem igualmente poderosos como o Senhor, embora não sejam capazes para se tornarem assim. Os seres vivos estão iludidos pela vontade do Senhor porque querem se tornar igual a Ele. Igual uma pessoa que pensa em se tornar um rei sem possuir a qualificação necessária, quando o ser vivo deseja se tornar o próprio Senhor Ele mesmo, ele é posto numa condição de sonhar que é um rei. Por isso o primeiro desejo pecaminoso do ser vivo é se tornar o Senhor, e o desejo conseqüente do Senhor é que o ser vivo esqueça sua vida real e assim sonhe com a terra da utopia onde ele pode se tornar alguém igual o Senhor. A criança chora para ter a Lua, e a mãe dá um espelho para satisfazer a criança que chora e perturba com o reflexo da Lua. Similarmente, a criança chorona do Senhor recebe para ela o reflexo, o mundo material, para dominá-lo como karmi e para abandoná-lo em frustração para se tornar uno com o Senhor. Ambos estágios são apenas ilusões de sonhos. Não há necessidade de traçar a história de quando o ser vivo desejou isso. Porém o fato é que tão logo ele desejou isso, foi posto sob o controle de atma-maya pela direção do Senhor. Por isso o ser vivo em sua condição material sonha falsamente que isso é "meu" e isso sou "eu". O sonho é que a alma condicionada pensa no seu corpo material como "eu" ou pensa falsamente que ela é o Senhor e que tudo em conexão com o corpo material é "meu". Por isso que somente em sonho que o equívoco de "eu" e "meu" persiste vida após vida. Isso continua vida após vida, enquanto o ser vivo não está puramente consciente de sua identidade como a parte e parcela subordinada do Senhor.

Em sua consciência pura, entretanto, não existe esse sonho equivocado, e nesse estado de consciência pura o ser vivo não esquece que é eternamente o servidor do Senhor em amor transcendental.

Verso 2

bahu-rüpa iväbhäti
mäyayä bahu-rüpayä
ramamäëo guëeñv asyä
mamäham iti manyate

O ser vivo iludido aparece em tantas formas oferecidas pela energia externa do Senhor. Enquanto desfruta nos modos da natureza material, o ser vivo enjaulado entende errado, e pensa em termos de "eu" e "meu".

Iluminação de Srila Prabhupada:

As formas diferentes dos seres vivos são vestimentas diferentes oferecidas pela energia externa, ilusória do Senhor de acordo com os modos da natureza que o ser vivo deseja desfrutar. A energia material, externa é representada pelos seus três modos, a saber, bondade, paixão e ignorância. Por isso mesmo dentro da natureza material há uma chance de escolha independente para o ser vivo, e de acordo com sua escolha a energia material oferece a ele variedades diferentes de corpos materiais. Existem corpos, 1.100.000 vermes e répteis, 1.000.000 formas de pássaros, juntos existem 8.400.000 variedades de corpos diferentes em diferentes planetas do universo, e o ser vivo viaja por demasiadas transmigrações de acordo com os diferentes modos de desfrutar espírito dentro de si mesmo. Mesmo num corpo particular o ser vivo muda da infância para adolescência, da adolescência para juventude, da juventude para velhice e da velhice para outro corpo criado por sua própria ação. O ser vivo cria seu próprio corpo por seus desejos pessoais na extensão máxima. O tigre deseja desfrutar o sangue de outro animal, e por isso, pela graça do Senhor a energia marginal supre para ele o corpo de um tigre com facilidades para desfrutar o sangue de outro animal. Similarmente, um ser vivo que deseja ter um corpo de semideuses num planeta superior também pode obtê-lo pela graça do Senhor. E se ele for inteligente o bastante, pode desejar obter um corpo espiritual para desfrutar a companhia do Senhor, e ele obterá isso. Assim a liberdade diminuta do ser vivo pode ser utilizada plenamente, e o Senhor é tão bom que Ele concede para o ser vivo o mesmo tipo de corpo que ele deseja. O desejo do ser vivo é como sonhar com uma montanha de ouro. Uma pessoa sabe o que é uma montanha, e sabe também o que é ouro. Somente pelo seu desejo, ele sonha com uma montanha de ouro, e quando o sonho acaba ele vê alguma outra coisa em sua presença. Ele descobre que no seu estado desperto não tem nem ouro nem uma montanha, e o que dizer de uma montanha de ouro.

As posições diferentes dos seres vivos dentro do mundo material sob manifestações multifárias de corpos são devido ao conceito errado de "meu" e "eu". O karmi pensa neste mundo como "meu", e o jñani pensa "eu sou" tudo. O conceito material integral de política, sociologia, filantropia, altruísmo etc. concebido pelas almas condicionadas está na base desse conceito errado "eu" e "meu", os quais são produtos de um forte desejo para desfrutar vida material. Identificação com o corpo e o lugar onde o corpo é obtido sob diferentes conceitos de socialismo, nacionalismo, afeição familiar, e assim por diante é devido ao esquecimento da natureza verdadeira do ser vivo, e o conceito errado integral do ser vivo pode ser removido pela associação de Shukadeva Goswami e Maharaja Parikshit, como tudo isso é explicado no Srimad Bhagavatam.

Verso 3

yarhi väva mahimni sve
parasmin käla-mäyayoù
rameta gata-sammohas
tyaktvodäste tadobhayam

Tão logo o ser vivo se torna situado em sua glória constitucional e começa a desfrutar a transcendência além de tempo e energia material, ele imediatamente abandona os dois conceitos errados de vida (eu e meu) e assim fica plenamente manifestado como o eu puro.

Iluminação de Srila Prabhupada:

Os dois conceitos errados de vida, a saber, "eu" e "meu", são verdadeiramente manifestados em duas classes de pessoas. No estado inferior o conceito de "meu" é muito proeminente, e no estado superior o conceito errado de "eu" é proeminente. No estado de vida animal o conceito errado de "meu" é percebido mesmo na categoria dos gatos e cães, que brigam um com o outro com o mesmo conceito errado de "meu". No estado inferior da vida humana o mesmo conceito errado também é proeminente na forma de "este é meu corpo", "esta é minha casa", "esta é minha família", "esta é minha casta", "esta é minha nação", "este é meu país" e assim por diante. E no estágio superior do conhecimento especulativo, o mesmo conceito errado de "meu" é transformado em "eu sou", ou "tudo isso é meu" etc.. Existem muitas classes de pessoas que compreendem o mesmo conceito errado de "eu" e "meu", em cores diferentes. Porém o verdadeiro significado de "eu" só pode ser realizado quando alguém está situado na consciência de que "eu sou um servidor eterno do Senhor". Isso é consciência pura, e as literaturas Védicas integrais nos ensinam esse conceito de vida.

O conceito errado de "eu sou o Senhor", ou "eu sou o Supremo", é mais perigoso do que o conceito errado de "meu". Embora às vezes exista direções nas literaturas Védicas para pensar em si próprio uno com o Senhor, isso não significa que ele se torna idêntico com o Senhor em cada aspecto. Indubitavelmente existe unidade do ser vivo com o Senhor em muitos aspectos, mas ultimamente o ser vivo é subordinado ao Senhor, e ele é constitucionalmente destinado para satisfazer os sentidos do Senhor. O Senhor por isso pede para as almas condicionadas se renderem a Ele. Se os seres vivos não fossem subordinados à vontade suprema, por que o ser vivo é solicitado para se render? Se o ser vivo fosse igual em todos aspectos, então por que foi posto sob a influência de maya? Nós já discutimos muitas vezes que a energia material é controlada pelo Senhor. O Bhagavad-gita (9.10) confirma esse poder de controle do Senhor sobre a natureza material. Pode um ser vivo que alega ser tão bom quanto o Ser Supremo controlar a natureza material? O "eu" idiota responderá que fará isso no futuro. Mesmo se aceitar que no futuro qualquer um será um bom controlador da natureza material tanto quanto o Ser Supremo, então por que agora ele está sob o controle da natureza material? O Bhagavad-gita diz que qualquer um pode ficar livre do controle da natureza material por se render ao Supremo Senhor, mas se não houver nenhuma rendição, então o ser vivo nunca será capaz de controlar a natureza material. Por isso deve-se também abandonar o conceito errado de "eu" por praticar o caminho do serviço devocional ou ficar firmemente situado no serviço amoroso transcendental do Senhor. Uma pessoa pobre sem nenhum emprego ou ocupação deve passar por muitos problemas na vida, mas se por acaso a mesma pessoa obtém um serviço bom no governo, imediatamente fica feliz. Não existe nenhum lucro em negar a supremacia do Senhor que é o controlador de todas energias, mas deve-se ficar situado em sua própria glória, a saber, ficar situado em consciência pura de servidor eterno do Senhor. Em sua vida condicionada o ser vivo é servente da maya ilusória, e em seu estado liberado ele é o servo puro, não qualificado do Senhor. Tornar-se não manchado pelos modos da natureza material é a qualificação para entrar dentro do serviço do Senhor. Enquanto alguém for um servo de invenções mentais, não pode ser completamente livre da doença de "eu" e "meu".

A Verdade Absoluta é incontaminada pela energia ilusória porque Ele é o controlador dessa energia. As verdades relativas estão aptas para serem absorvidas na energia ilusória. O melhor propósito é servido, entretanto, quando alguém encara diretamente a Verdade Absoluta, do mesmo modo quando alguém encara o Sol. O Sol em cima no céu é cheio de luz, mas quando o Sol não é visível no céu, tudo fica na escuridão. Similarmente, quando alguém está face a face com o Supremo Senhor, ele está livre de todas ilusões, e alguém que não está assim, está na escuridão da maya ilusória. O Bhagavad-gita (14.26) confirma a seguir:

mäà ca yo 'vyabhicäreëa
bhakti-yogena sevate
sa guëän samatétyaitän
brahma-bhüyäya kalpate

Assim a ciência de bhakti-yoga, de adorar o Senhor, glorificar o Senhor, ouvir o Srimad Bhagavatam das fontes certas (não de pessoas profissionais mas de uma pessoa que é Bhagavatam em vida) e estar sempre na associação de devotos puros, deve ser adotada com seriedade. Ninguém deve ser desviado pelos conceitos errados de "eu" e "meu". Os karmis gostam do conceito de "meu", os jñanis gostam do conceito de "eu", e ambos são desqualificados para ficarem livres do cativeiro da energia ilusória. Srimad Bhagavatam e, primariamente, o Bhagavad-gita são ambos destinados para liberarem uma pessoa do conceito errado de "eu" e "meu", e Srila Vyasadeva os transcreveu para a liberação das almas caídas. O ser vivo tem que estar situado na posição transcendental onde não há mais influência de tempo nem da energia material. Na vida condicionada o ser vivo está sujeito à influência de tempo no sonho de passado, presente e futuro. O especulador mental tenta conquistar a influência do tempo por especulações futuras de se tornar Vasudeva ou o Supremo Senhor ele próprio pelos meios de cultivar conhecimento e conquistar o ego. Mas o processo não é perfeito. O processo perfeito é aceitar o Senhor Vasudeva como o Supremo em tudo, e a melhor perfeição em cultivar conhecimento é se render a Ele porque Ele é a fonte de tudo. Somente nesse conceito qualquer um pode se livrar do conceito errado de eu e meu. Ambos Bhagavad-gita e o Srimad Bhagavatam confirmam isso. Srila Vyasadeva contribuiu especificamente para os seres vivos iludidos a ciência de Deus e o processo de bhakti-yoga em sua grande literatura Srimad Bhagavatam, e a alma condicionada deve aproveitar a vantagem plenamente desta grande ciência.

Verso 4

ätma-tattva-viçuddhy-arthaà
yad äha bhagavän åtam
brahmaëe darçayan rüpam
avyaléka-vratädåtaù

Ó Rei, a Personalidade de Deus, muito satisfeito com o Senhor Brahma por causa de sua penitência não enganosa em bhakti-yoga, apresentou Sua forma eterna e transcendental perante Brahma. E essa é a meta objetiva para purificar a alma condicionada.

Iluminação de Srila Prabhupada:

Atma-tattva é a ciência de ambos Deus e o ser vivo. Ambos o Supremo Senhor e o ser vivo são conhecidos como atma, o brahma, ou o jiva. Ambos o Paramatma e o jivatma, por serem transcendentais à energia material, são chamados atma. Por isso Shukadeva Goswami explica este verso com o objetivo de purificar a verdade de ambos o Paramatma e o jivatma. Geralmente pessoas têm muitos conceitos errados sobre ambos. O conceito errado do jivatma é identificar o corpo material com a alma pura, e o conceito errado do Paramatma é pensar Nele num nível igual com o ser vivo. Porém ambos conceitos errados podem ser removidos com um único golpe de bhakti-yoga, justamente igual na luz solar ambos o Sol e o mundo e tudo mais dentro da luz solar são vistos apropriadamente. Na escuridão ninguém pode ver o Sol, si mesmo e o mundo a sua volta. Srila Shukadeva Goswami por isso diz que para purificação de ambos conceitos errados, o Senhor apresentou Sua forma eterna perante Brahmaji, por estar plenamente satisfeito com o voto não enganoso de desempenhar bhakti-yoga. Exceto por bhakti-yoga, qualquer método de realização de atma-tattva, ou a ciência do atma, provará ser enganoso a longo prazo.

No Bhagavad-gita, o Senhor diz que somente por bhakti-yoga qualquer um pode conhecê-Lo perfeitamente, e então pode entrar dentro da ciência de Deus. Brahmaji se submeteu a grande penitência no desempenho de bhakti-yoga, e assim ele foi capaz de ver a forma transcendental do Senhor. Sua forma transcendental é cem por cento espiritual, e qualquer um pode vê-Lo somente pela visão espiritualizada depois do desempenho apropriado de tapasya ou penitência em bhakti-yoga puro. A forma do Senhor manifestada perante Brahma não é uma das formas com a qual temos experiência no mundo material. Brahmaji não desempenhou tipos de penitência severos assim justamente para ver uma forma de produção material. Por isso a pergunta de Maharaja Parikshit sobre a forma do Senhor está respondida. A forma do Senhor é sac-cid-ananda (Bs. 5.1), ou eterna, plena de conhecimento e plena de bem-aventurança. Porém a forma material do ser vivo não é nem eterna, nem plena de conhecimento, nem bem-aventurada. Essa é a distinção entre a forma do Senhor e a da alma condicionada. A alma condicionada, entretanto, pode recuperar sua forma de conhecimento e bem-aventurança eternos simplesmente por ver o Senhor por meio de bhakti-yoga.

O resumo é que por causa da ignorância a alma condicionada está enjaulada nas variedades temporárias de formas materiais. Porém o Supremo Senhor não tem uma forma temporária dessa igual as almas condicionadas. Ele é sempre o possuidor de uma forma eterna de conhecimento e bem-aventurança, e essa é a diferença entre o Senhor e o ser vivo. Pode-se entender essa diferença pelo processo de bhakti-yoga. Brahma foi então informado pelo Senhor a essência do Srimad Bhagavatam em quatro versos originais. Por isso Srimad Bhagavatam não é uma criação de especuladores mentais. O som do Srimad Bhagavatam é transcendental, e a ressonância do Srimad Bhagavatam é tão boa quanto a dos Vedas. Assim o tópico do Srimad Bhagavatam é a ciência de ambos o Senhor e o ser vivo. Leitura ou audição regular do Srimad Bhagavatam é também desempenho de bhakti-yoga, e qualquer um pode alcançar a perfeição mais elevada simplesmente pela associação do Srimad Bhagavatam. Ambos Shukadeva Goswami e Maharaja Parikshit alcançaram perfeição através do intermédio do Srimad Bhagavatam.

Verso 5

sa ädi-devo jagatäà paro guruù
svadhiñëyam ästhäya sisåkñayaikñata
täà nädhyagacchad dåçam atra sammatäà
prapaïca-nirmäëa-vidhir yayä bhavet

O Senhor Brahma, o primeiro mestre espiritual, supremo no universo, não pôde rastrear a fonte de seu assento de lótus, e enquanto pensava sobre criar o mundo material, ele não pôde entender a direção apropriada para esse trabalho criativo, nem ele pôde encontrar o processo para essa criação.

Iluminação de Srila Prabhupada:

Este verso é o prelúdio para explicar a natureza transcendental da forma e morada do Senhor. No começo do Srimad Bhagavatam já foi dito que a Verdade Absoluta Suprema existe em Sua própria morada sem nenhum toque de energia enganosa. Por isso o reino de Deus não é um mito mas factualmente uma esfera diferente e transcendental de planetas conhecidos como Vaikunthas. Isso também será explicado neste capítulo.

Esse conhecimento sobre o céu espiritual muito além deste céu material e sua parafernália só pode ser conhecido por meio de serviço devocional, ou bhakti-yoga. O poder de criação do Senhor Brahma também foi obtido por meio de bhakti-yoga. Brahmaji estava confuso na matéria da criação, e ele não conseguiu nem mesmo rastrear a fonte de sua própria existência. Porém todo esse conhecimento foi plenamente obtido por ele através do meio de bhakti-yoga. Por bhakti-yoga qualquer um pode conhecer o Senhor, e por conhecer o Senhor como o Supremo, qualquer um fica capacitado para conhecer tudo mais. Aquele que conhece o Supremo conhece tudo mais. Essa é a versão dos Vedas. Mesmo o primeiro mestre espiritual do universo foi iluminado pela graça do Senhor, assim quem mais pode alcançar conhecimento perfeito sobre tudo sem a misericórdia do Senhor? Se alguém deseja procurar conhecimento perfeito sobre tudo, deve procurar a misericórdia do Senhor, e não existe nenhum outro meio. Procurar conhecimento no poder de sua tentativa pessoal é uma completa perda de tempo.

Verso 6

sa cintayan dvy-akñaram ekadämbhasy
upäçåëod dvir-gaditaà vaco vibhuù
sparçeñu yat ñoòaçam ekaviàçaà
niñkiïcanänäà nåpa yad dhanaà viduù

Enquanto absorto em pensar, dentro da água, Brahmaji ouviu duas vezes de perto duas sílabas postas juntas. Uma das sílabas foi pega da décima sexta e a outra da vigésima primeira dos alfabetos sparsa, e ambas juntadas para se tornarem a riqueza da ordem de vida renunciada.

Iluminação de Srila Prabhupada:

Na língua sânscrita, os alfabetos de consoantes são divididos em duas divisões, a saber os sparsa-varnas, e os talavya-varnas. De ka para ma as letras são conhecidas como as sparsa-varnas, e a décima sexta do grupo se chama ta, enquanto a vigésima primeira letra é chamada pa. Assim quando as duas são postas juntas, a palavra tapa, ou penitência, é construída. Essa penitência é a beleza e riqueza dos brahmanas e a ordem de vida renunciada. De acordo com a filosofia Bhagavata, cada ser humano é destinado simplesmente para esse tapa e para nenhum outro assunto, porque somente por penitência qualquer um pode realizar seu eu; e auto-realização, não prazer sensual, é a obrigação da vida humana. Esse tapa, ou penitência, começou desde o próprio início da criação, e foi adotado primeiramente pelo mestre espiritual supremo, Senhor Brahma. Somente por tapasya qualquer um pode obter o lucro da vida humana, e não por uma civilização polida de vida animal. O animal não conhece nada mais exceto prazer sensual nas jurisdições de comer, beber, acasalar e desfrutar. Mas o ser humano é feito para se submeter a tapasya para ir de volta ao Supremo, de volta ao lar.

Quando o Senhor Brahma ficou perplexo sobre como construir as manifestações materiais dentro do universo e desceu abaixo dentro da água para encontrar os meios e a fonte de seu assento de lótus, ele ouviu a palavra tapa vibrada duas vezes. Adotar o caminho de tapa é o segundo nascimento para o discípulo desejoso. A palavra upasrnot é muito significativa. É similar a upanayana, ou trazer o discípulo para mais perto do mestre espiritual para o caminho de tapa. Assim Brahmaji foi iniciado dessa forma pelo Senhor Krishna, e esse ato é corroborado por Brahmaji ele mesmo em seu livro Brahma Samhita. No Brahma Samhita o Senhor Brahma cantou em cada verso govindam adi-purusam tam aham bhajami. Então Brahma foi iniciado pelo Krishna mantra, pelo Senhor Krishna Ele mesmo em pessoa, e assim ele se tornou um Vaishnava, ou um devoto do Senhor, antes dele ser capaz de construir um universo imenso. Está dito no Brahma Samhita que o Senhor Brahma foi iniciado dentro do Krishna mantra de dezoito letras, o que é geralmente aceito por todos devotos do Senhor Krishna. Nós seguimos o mesmo princípio porque nós pertencemos ao Brahma-sampradaya, diretamente na corrente discipular de Brahma para Narada, de Narada para Vyasa, de Vyasa para Madhwa Muni, de Madhwa Muni para Madhavendra Puri, de Madhavendra Puri para Ishvara Puri, de Ishvara Puri para o Senhor Chaitanya e gradualmente para Sua Divina Graça Bhaktisiddhanta Sarasvati, nosso mestre divino.

Aquele que é iniciado na sucessão discipular é capaz de alcançar o mesmo resultado ou poder de criação. Cantar esse mantra sagrado é o único abrigo do devoto puro do Senhor sem desejos. Simplesmente por essa tapasya, ou penitência, o devoto do Senhor obtém todas perfeições igual o Senhor Brahma.

Verso 7

niçamya tad-vaktå-didåkñayä diço
vilokya tatränyad apaçyamänaù
svadhiñëyam ästhäya vimåçya tad-dhitaà
tapasy upädiñöa ivädadhe manaù

Quando ele ouviu o som, tentou encontrar o orador, e procurou por todos lados. Mas quando foi incapaz de encontrar alguém além dele, achou sensato sentar em seu lótus firmemente e dar sua atenção para a execução de penitência, do modo como foi instruído.

Iluminação de Srila Prabhupada:

Para alcançar sucesso na vida, deve-se seguir o exemplo do Senhor Brahma, a primeira criatura viva no começo da criação. Depois de ser iniciado pelo Supremo Senhor para executar tapasya, ele estava fixo em sua determinação para fazer isso, e embora ele não conseguiu achar ninguém além dele mesmo, ele pôde entender corretamente que o som foi transmitido pelo Senhor Ele mesmo. Brahma era o único ser vivo naquele tempo porque não havia nenhuma outra criação e ninguém pôde ser achado ali exceto ele mesmo. No começo do Primeiro Canto, no Primeiro Capítulo, primeiro verso, do Srimad Bhagavatam, já foi mencionado que Brahma foi iniciado pelo Senhor de dentro. O Senhor está dentro de todo ser vivo como a Superalma, e Ele iniciou Brahma porque Brahma desejava receber a iniciação. O Senhor pode similarmente iniciar cada um que é inclinado para ter isso.

Como já foi afirmado, Brahma é o mestre espiritual original do universo, e desde que ele foi iniciado pelo Senhor Ele mesmo, a mensagem do Srimad Bhagavatam desce abaixo pela sucessão discipular, e a fim de receber a mensagem verdadeira do Srimad Bhagavatam deve-se aproximar do elo atual, ou o mestre espiritual, na corrente de sucessão discipular. Depois de ser iniciado pelo mestre espiritual apropriado nessa corrente de sucessão, deve-se dedicar no desempenho de tapasya na execução do serviço devocional. Ninguém não deve, entretanto, pensar em si mesmo no nível de Brahma para ser iniciado diretamente pelo Senhor de dentro porque na era presente ninguém pode ser aceito como tão puro quanto Brahma. O posto de Brahma para presidir a criação do universo é oferecido ao ser vivo mais puro, e a menos que alguém seja qualificado dessa forma não pode esperar ser tratado igual Brahmaji diretamente. Porém qualquer um pode ter a mesma facilidade através dos devotos imaculados do Senhor, por meio de instruções das escrituras (como revelado no Bhagavad-gita e Srimad Bhagavatam especialmente), e também através do mestre espiritual fidedigno disponível para a alma sincera. O Senhor Ele mesmo aparece como o mestre espiritual para uma pessoa que é sincera no coração sobre servir o Senhor. Por isso o mestre espiritual fidedigno que aparece para encontrar o devoto sincero deve ser aceito como o mais confidencial e amado representante do Senhor. Se uma pessoa for posta sob a guia de um mestre espiritual fidedigno assim, pode-se aceitar sem nenhuma dúvida que a pessoa desejosa alcançou a graça do Senhor.

Verso 8

divyaà sahasräbdam amogha-darçano
jitänilätmä vijitobhayendriyaù
atapyata smäkhila-loka-täpanaà
tapas tapéyäàs tapatäà samähitaù

O Senhor Brahma se submeteu a penitências por mil anos pelos cálculos dos semideuses. Ele ouviu essa vibração transcendental do céu, e ele a aceitou como divina. Assim ele controlou sua mente e sentidos, e as penitências que ele executou foram uma grande lição para os seres vivos. Por isso ele é conhecido como o maior dos ascetas.

Iluminação de Srila Prabhupada:

O Senhor Brahma ouviu o som oculto tapa, mas ele não viu a pessoa que vibrou o som. E mesmo assim aceitou a instrução como benéfica para ele, e então ele se dedicou em meditação por mil anos celestiais. Um ano celestial é igual a 6 x 30 x 12 x 1000 de nossos anos. Sua aceitação do som foi devido à sua visão pura da natureza absoluta do Senhor. E devido à sua visão correta, ele não fez distinção entre o Senhor e vibração sonora vinda Dele, mesmo embora Ele não estivesse presente pessoalmente. O melhor modo de entendimento é aceitar essa instrução divina, e Brahma, o mestre espiritual primordial de todos, é o exemplo vivo desse processo de receber conhecimento transcendental. A potência do som transcendental nunca é minimizada porque o vibrador está aparentemente ausente. Por isso Srimad Bhagavatam ou Bhagavad-gita ou qualquer escritura revelada no mundo nunca deve ser aceita como um som mundano ordinário sem potência transcendental.

Deve-se receber o som transcendental da fonte correta, aceitá-lo como uma realidade e prosseguir a direção sem hesitação. O segredo do sucesso é receber o som da fonte certa que é um mestre espiritual fidedigno. Som manufaturado materialmente não tem nenhuma potência, e dessa forma, som aparentemente transcendental recebido de uma pessoa desautorizada também não tem nenhuma potência. Qualquer um deve se qualificar o bastante para discernir essa potência transcendental, e tanto por discriminar ou por chance afortunada se qualquer um for capaz de receber o som transcendental do mestre espiritual fidedigno, seu caminho da liberação está garantido. O discípulo, entretanto, deve estar pronto para executar a ordem do mestre espiritual fidedigno do mesmo modo como o Senhor Brahma executou a instrução de seu mestre espiritual, o próprio Senhor Ele mesmo. Seguir a ordem do mestre espiritual fidedigno é o único dever do discípulo, e essa execução completamente fiel da ordem do mestre espiritual fidedigno é o segredo do sucesso.

O Senhor Brahma controlou seus dois graus de sentidos por meio da percepção sensorial e órgãos dos sentidos porque ele tinha que ocupar esses sentidos na execução da ordem do Senhor. Por isso controlar os sentidos significa ocupá-los no serviço transcendental do Senhor. A ordem do Senhor descende na sucessão discipular através do mestre espiritual fidedigno, e dessa forma execução da ordem do mestre espiritual fidedigno é controle dos sentidos de fato. Tal execução de penitência em fé e sinceridade plenas fizeram Brahma tão poderoso que ele se tornou o criador do universo. E porque ele foi capaz de alcançar esse poder, ele é chamado o melhor de todos tapasvis.

Verso 9

tasmai sva-lokaà bhagavän sabhäjitaù
sandarçayäm äsa paraà na yat-param
vyapeta-saìkleça-vimoha-sädhvasaà
sva-dåñöavadbhir puruñair abhiñöutam

A Personalidade de Deus, por estar muito satisfeito com a penitência do Senhor Brahma, ficou feliz em manifestar Sua morada pessoal, Vaikuntha, o planeta supremo acima de todos outros. Essa morada transcendental do Senhor é adorada por todas pessoas auto-realizadas livres de todos tipos de misérias e medo da existência ilusória.

Iluminação de Srila Prabhupada:

As dificuldades da penitência aceita pelo Senhor Brahma estavam certamente na linha do serviço devocional (bhakti). De outra forma não haveria nenhuma chance que Vaikunthaloka ou svalokam, as moradas pessoais do Senhor, ficariam visíveis para Brahmaji. As moradas pessoais do Senhor, conhecidas como Vaikunthas, não são nem mitológicas nem materiais, como concebido pelos impersonalistas. Mas realização das moradas transcendentais do Senhor é possível somente através do serviço devocional, e assim os devotos entram dentro dessas moradas. Há sem dúvida dificuldade em executar penitência. Porém a dificuldade aceita em executar bhakti-yoga é felicidade transcendental desde o próprio começo, enquanto a dificuldade da penitência em outros processos de auto-realização (jñana-yoga, dhyana-yoga etc.), sem nenhuma realização Vaikuntha, termina só em dificuldade e nada mais. Não há nenhum proveito em bater cascas sem grãos. Similarmente, não há nenhum proveito em executar penitências problemáticas além de bhakti-yoga para auto-realização.

Executar bhakti-yoga é exatamente igual sentar no lótus que brotou do abdômen da Personalidade de Deus transcendental, porque o Senhor Brahma estava sentado lá. Brahmaji estava capacitado para satisfazer o Senhor, e o Senhor também estava satisfeito para mostrar a Brahmaji Sua morada pessoal. Srila Jiva Goswami, nos comentários da sua anotação Krama-sandharbha do Srimad Bhagavatam, cita citações da evidência Védica do Garga Upanishad. É dito que Yajñavalkya descreveu a morada transcendental do Senhor para Gargi, e que a morada do Senhor está situada acima do planeta mais elevado do universo, chamado Brahmaloka. Essa morada do Senhor, embora descrita em escrituras reveladas iguais Bhagavad-gita e o Srimad Bhagavatam, permanece apenas um mito para a classe de pessoas menos inteligentes com um pobre fundo de conhecimento. Aqui a palavra sva-drstavadbhih é muito significativa. Aquele que realmente realizou seu eu realiza a forma transcendental de seu próprio eu. Realização impessoal do eu e o Supremo não é completa, porque é justamente um conceito oposto de personalidades materiais. A Personalidade de Deus e as personalidades dos devotos do Senhor são todas transcendentais; elas não têm corpos materiais. O corpo material é carregado com cinco tipos de condições miseráveis, a saber, ignorância, conceito material, apego, ódio e absorção. Enquanto alguém estiver confuso por causa desses cinco tipos de misérias materiais, não há questão de entrar dentro dos Vaikunthalokas. O conceito impessoal do próprio eu é justamente a negação da personalidade material e está longe da existência positiva da forma pessoal. As formas pessoais da morada transcendental serão explicadas nos versos seguintes. Brahmaji também descreveu o planeta mais elevado do Vaikunthaloka como Goloka Vrindavana, onde o Senhor reside como um menino pastor de vacas que pastoreia vacas surabhi e rodeado por centenas de milhares de deusas da fortuna.

cintämaëi-prakara-sadmasu kalpa-våkña-
lakñävåteñu surabhér abhipälayantam
lakñmé-sahasra-çata-sambhrama-sevyamänaà
govindam ädi-puruñaà tam ahaà bhajämi

(Bs. 5.29)

A afirmação do Bhagavad-gita, yad gatva na nivartante tad dhama paramam mama (Bg. 15.6), também é confirmada juntamente, param significa Brahman transcendental. Por isso, a morada do Senhor também é Brahman, não diferente da Suprema Personalidade de Deus. O Senhor é conhecido como Vaikuntha, e Sua morada também é conhecida como Vaikuntha. Essa realização e adoração Vaikuntha pode se tornar possível por forma e sentido transcendentais.

Verso 10

pravartate yatra rajas tamas tayoù
sattvaà ca miçraà na ca käla-vikramaù
na yatra mäyä kim utäpare harer
anuvratä yatra suräsurärcitäù

Nessa morada pessoal do Senhor, os modos materiais de ignorância e paixão não prevalecem, nem existe lá nenhuma das influências deles na bondade. Não existe nenhuma predominância da influência do tempo, o que dizer da energia externa, ilusória; ela não pode entrar naquela região. Sem discriminação, tanto os semideuses quanto os demônios adoram o Senhor como devotos.

Iluminação de Srila Prabhupada:

O reino de Deus, ou a atmosfera da natureza de Vaikuntha, que é chamado tripad-vibhuti, ou três vezes maior do que os universos materiais e é descrito aqui, e também no Bhagavad-gita, em resumo. Este universo, que contém bilhões de estrelas e planetas, é um dos bilhões de universos assim agrupados dentro do compasso do mahat-tattva. E todos esses milhões e bilhões de universos combinados juntos constituem apenas um quarto da magnitude da criação integral do Senhor. Existe o céu espiritual também; além deste céu estão os planetas espirituais sob os nomes de Vaikuntha, e todos eles constituem três quartos da criação inteira do Senhor. Criações de Deus são sempre inumeráveis. Mesmo as folhas de uma árvore não podem ser contadas por uma pessoa, nem pode contar os cabelos na sua cabeça. Entretanto, pessoas idiotas ficam enfatuadas com a idéia de se tornar o próprio Deus Ele mesmo, apesar de incapazes de criar um cabelo de seus próprios corpos. Humano pode descobrir tantos veículos maravilhosos de jornada, mas mesmo se ele alcançar a Lua por essa espaçonave muito anunciada, não pode permanecer lá. A pessoa sóbria, dessa forma, sem ser enfatuada, como se fosse o Deus do universo, cumpre as instruções da literatura Védica, o caminho mais fácil para adquirir conhecimento na transcendência. Assim, que nós conheçamos através da autoridade do Srimad Bhagavatam sobre a natureza e constituição do mundo transcendental além do céu material. Naquele céu as qualidades materiais especialmente os modos da ignorância e paixão, são completamente ausentes. O modo da ignorância influencia um ser vivo para o hábito de luxúria e ansiedade, e isso significa que nos Vaikunthalokas os seres vivos estão livres dessas duas coisas. Como confirmado no Bhagavad-gita, no estágio de vida brahma-bhuta (Bhag. 4.30.20) torna-se livre de ansiedade e lamentação. Assim a conclusão é que os habitantes dos planetas Vaikuntha são todos seres vivos brahma-bhuta, em contraste com as criaturas mundanas que estão todas comprimidas em ansiedade e lamentação. Quando alguém não está nos modos da ignorância e paixão, supõe-se que está situado no modo da bondade no mundo material. Bondade no mundo material também às vezes fica contaminada por toques dos modos da paixão e ignorância. No Vaikunthaloka, existe somente bondade.

A situação toda lá é aquela de liberdade da manifestação ilusória da energia externa. Apesar da energia ilusória também ser parte e parcela do Supremo Senhor, energia ilusória é diferenciada do Senhor. A energia ilusória não é, entretanto, falsa, como alegado pelos filósofos monistas. Uma corda aceita como uma serpente pode ser uma ilusão para uma pessoa particular, porém a corda é um fato, e a serpente também é um fato. A ilusão da água no deserto quente pode ser ilusão para o animal ignorante que procura água dentro do deserto, porém o deserto e água são fatos reais. Por isso a criação material do Senhor pode ser uma ilusão para o não devoto, mas para um devoto mesmo a criação material do Senhor é um fato, como a manifestação de Sua energia externa. Mas essa energia do Senhor não é tudo. O Senhor também tem Sua energia interna, a qual tem outra criação conhecida como os Vaikunthalokas, onde não existe nenhuma ignorância, nenhuma paixão, nenhuma ilusão e nenhum passado e presente. Com um pobre fundo de conhecimento ninguém pode ser capaz de entender a existência de tais coisas como a atmosfera Vaikuntha, mas isso não nulifica sua existência. Porque espaçonave não pode alcançar esses planetas não significa que esses planetas não existem, porque eles são descritos nas escrituras reveladas.

Como citado por Srila Jiva Goswami, podemos aprender do Narada-pañcharatra que o mundo transcendental ou atmosfera Vaikuntha é enriquecida com qualidades transcendentais. Essas qualidades transcendentais, como é revelado através do serviço devocional do Senhor, são distintas das qualidades mundanas de ignorância, paixão e bondade. Essas qualidades não são obteníveis para a classe de pessoas não devotas. No Padma Purana, Uttara-khanda, está afirmado que além do um quarto da criação de Deus está a manifestação de três quartos. A linha marginal entre a manifestação material e a manifestação espiritual é o Rio Viraja, e além do Viraja, o qual é a corrente transcendental que flui da transpiração do corpo do Senhor, existe a manifestação de três quartos da criação de Deus. Essa parte é eterna, perpétua, sem deterioração, e ilimitada, e contém o estágio de perfeição mais elevado de condições de vida. No Sankhya-kaumudi está afirmado que bondade imaculada ou transcendência é justamente o oposto aos modos materiais. Todos os seres vivos lá estão eternamente associados sem nenhuma interrupção, e o Senhor é a entidade líder e primordial. Nos Agama Puranas também, a morada transcendental é descrita a seguir: Os membros associados estão livres para ir a qualquer lugar dentro da criação do Senhor, e não existe limite para essa criação, particularmente dentro da região da magnitude de três quartos. Porque a natureza dessa região é ilimitada, não existe nenhuma história dessa associação, nem tem fim para ela.

A conclusão pode ser extraída que por causa da ausência total das qualidades mundanas de ignorância e paixão, não há questão de criação nem de aniquilação. No mundo material tudo é criado, e tudo é aniquilado, e a duração da vida entre a criação e aniquilação é temporária. No reino transcendental não existe nenhuma criação e nenhuma destruição, e assim a duração da vida é eterna ilimitadamente. Em outras palavras, tudo no mundo transcendental é perpétuo, pleno de conhecimento e bem-aventurança sem deterioração. Porque não existe deterioração, não existe nenhum passado, presente e futuro na estimativa do tempo. Está claramente afirmado neste verso que a influência do tempo é conspícua pela sua ausência. A existência material integral é manifestada por ações e reações dos elementos os quais tornam a influência do tempo proeminente na matéria de passado, presente e futuro. Não existem tais ações e reações de causa e efeitos lá, assim o ciclo de nascimento, crescimento, existência, transformações, deterioração e aniquilação - as seis mudanças materiais - não são existentes ali. É a manifestação imaculada da energia do Senhor, sem ilusão como experimentada aqui no mundo material. A existência Vaikuntha integral proclama que cada um ali é um seguidor do Senhor. O Senhor é o líder chefe lá, sem nenhuma competição para liderança, e as pessoas em geral são todos seguidores do Senhor. Está confirmado nos Vedas, dessa forma, que o Suprema Personalidade de Deus é o líder chefe e todos outros seres vivos são subordinados a Ele, porque somente o Senhor satisfaz todas necessidades de todos outros seres vivos.

Verso 11

çyämävadätäù çata-patra-locanäù
piçaìga-vasträù surucaù supeçasaù
sarve catur-bähava unmiñan-maëi-
praveka-niñkäbharaëäù suvarcasaù

Os habitantes dos planetas Vaikuntha são descritos como possuidores de uma coloração azul celeste brilhante. Seus olhos parecem flores de lótus, sua roupa é de cor amarelada, e suas características corpóreas são muito atraentes. Eles estão justamente na idade de jovens em crescimento, todos eles têm quatro mãos, todos eles são belamente decorados com colares de pérolas com medalhões ornamentais, e todos eles parecem ser refulgentes.

Iluminação de Srila Prabhupada:

Os habitantes de Vaikunthaloka são todos personalidades com características corpóreas espirituais que não se encontram no mundo material. Nós podemos achar as descrições nas escrituras reveladas igual Srimad Bhagavatam. Descrições impessoais da transcendência nas escrituras indicam que as características corpóreas em Vaikunthaloka nunca são para serem vistas em qualquer parte do universo. Do mesmo modo que há diferentes características corpóreas em diferentes lugares de um planeta particular, ou como existem características corpóreas diferentes entre corpos de planetas diferentes, similarmente as características corpóreas dos habitantes em Vaikunthaloka são completamente diferentes daquelas dentro do universo material. Por exemplo, as quatro mãos são distintas das duas mãos dentro deste mundo.

Verso 12

praväla-vaidürya-måëäla-varcasaù
parisphurat-kuëòala-mauli-mälinaù

Alguns deles são refulgentes igual coral e diamantes em coloração e têm grinaldas sobre suas cabeças, florescentes igual flores de lótus, e alguns usam brincos.

Iluminação de Srila Prabhupada:

Existem alguns habitantes que alcançaram a liberação de sarupya, ou possuir características corpóreas iguais a da Personalidade de Deus. O diamante vaidurya é especialmente destinado para a Personalidade de Deus, porém qualquer um que obtém a liberação de igualdade corpórea com o Senhor é especialmente favorecido com esses diamantes no seu corpo.

Verso 13

bhräjiñëubhir yaù parito viräjate
lasad-vimänävalibhir mahätmanäm
vidyotamänaù pramadottamädyubhiù
savidyud abhrävalibhir yathä nabhaù

Os planetas Vaikuntha também são rodeados por vários aeroplanos, todos situados radiantes e brilhantes. Esses aeroplanos pertencem aos grandes mahatmas ou devotos do Senhor. As damas são tão belas quanto o relâmpago por causa de suas compleições celestiais, tudo isso combinados juntos parecem justamente igual o céu decorado com ambos nuvens e relâmpagos.

Iluminação de Srila Prabhupada:

Parece que nos planetas Vaikuntha também existem aeroplanos que brilham radiantes, e eles são ocupados pelos grandes devotos do Senhor com damas de beleza celestial tão brilhantes quanto relâmpago. Do mesmo modo como há aeroplanos, assim também tem que haver diferentes tipos de carruagens iguais aeroplanos, mas não pode haver máquinas dirigíveis, como temos experiência dentro deste mundo material. Porque tudo é da mesma natureza de eternidade, bem-aventurança e conhecimento, os aeroplanos e carruagens são da mesma qualidade de Brahman. Embora não exista nada mais exceto Brahman, ninguém deve pensar erroneamente que só existe vazio e nenhuma variedade. Pensar dessa forma é por causa de um pobre fundo de conhecimento; de outra forma ninguém tem um conceito errado de vazio desse no Brahman. Do mesmo modo como há aeroplanos, damas e cavalheiros, também tem que existir cidades e casas e tudo mais justamente adequados para os planetas particulares. Ninguém deve carregar as idéias de imperfeição deste mundo para o mundo transcendental e não levar em consideração a natureza da atmosfera, que é completamente livre da influência de tempo etc., como descrito previamente.

Verso 14

çrér yatra rüpiëy urugäya-pädayoù
karoti mänaà bahudhä vibhütibhiù
preìkhaà çritä yä kusumäkaränugair
vigéyamänä priya-karma gäyaté

A deusa da fortuna em sua forma transcendental está dedicada no serviço amoroso dos pés de lótus do Senhor, e movida pelas abelhas negras, seguidoras da primavera, ela não está somente absorta em prazer variado - serviço para o Senhor, junto com suas companheiras constantes - mas também está absorta em cantar as glórias do Senhor.

Verso 15

dadarça taträkhila-sätvatäà patià
çriyaù patià yajïa-patià jagat-patim
sunanda-nanda-prabalärhaëädibhiù
sva-pärñadägraiù parisevitaà vibhum

O Senhor Brahma viu nos planetas Vaikuntha a Personalidade de Deus, que é o Senhor da comunidade de devotos inteira, o Senhor da deusa da fortuna, o Senhor de todos sacrifícios, e o Senhor do universo, e aquele que é servido pelos servidores principais tais quais Nanda, Sunanda, Prabala e Arhana, Seus associados imediatos.

Iluminação de Srila Prabhupada:

Quando falamos de um rei entende-se naturalmente que o rei é acompanhado por seus associados confidenciais, tais quais seu secretário, secretário particular, ajudante de campo, ministros e conselheiros. Assim também quando vemos o Senhor nós O vemos com Suas diferentes energias, associados, servidores confidenciais etc.. Assim o Supremo Senhor, que é o líder de todos seres vivos, o Senhor de todas seitas de devotos, o Senhor de todas opulências, o Senhor dos sacrifícios e o desfrutador de tudo em Sua criação inteira, não é apenas a Pessoa Suprema, mas também está sempre rodeado por Seus associados imediatos, todos absortos em seu serviço amoroso transcendental para Ele.

Verso 16

bhåtya-prasädäbhimukhaà dåg-äsavaà
prasanna-häsäruëa-locanänanam
kiréöinaà kuëòalinaà catur-bhujaà
pétäàçukaà vakñasi lakñitaà çriyä

A Personalidade de Deus, visto a inclinar-Se favoravelmente para Seus servidores amorosos, Sua própria visão inebriante e atraente, parecia estar muito satisfeito. Ele tinha uma face sorridente decorada com um encantador tom avermelhado. Ele estava vestido com roupas amareladas e usava brincos e um elmo sobre Sua cabeça. Ele tinha quatro mãos, e Seu peito estava marcado com as linhas da deusa da fortuna.

Iluminação de Srila Prabhupada:

No Padma Purana, Uttara-khanda, há uma descrição completa do yoga-pitha, ou o lugar particular onde o Senhor está em audiência com Seus devotos eternos. Nesse yoga-pitha, as personificações da religião, conhecimento, opulência e renúncia estão todos sentados aos pés de lótus do Senhor. Os quatro Vedas, a saber, Rik, Sama, Yajur e Atharva, estão presentes lá pessoalmente para aconselhar o Senhor. As dezesseis energias lideradas por Chanda estão todas presentes lá. Chanda e Kumuda são os dois primeiros porteiros, na porta do meio estão os porteiros chamados Bhadra e Subhadra, e na última porta estão Jaya e Vijaya. Existem outros porteiros também, chamados Kumuda, Kumudasa, Pundarika, Vamana, Shankukarna, Sarvanetra, Sumukha etc.. O palácio do Senhor é bem decorado e protegido pelos porteiros mencionados acima.

      

     

 

 

 

     

      

Continua em breve...

     

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